Quadradinhos de Chocolate com Aroma de Laranja

Partilha a tua sensação
O primeiro acordar depois das férias junto ao Oceano Atlântico é sempre mais lento e custoso. É como se o corpo estivesse ainda entorpecido pelo embalar das ondas, pelo cansaço dos mergulhos na água salgada e das caminhadas na areia aquecida. É como se a alma embebida em boas e quentes recordações se recusasse a levar um choque de realidade.   


O regresso a casa inclui sempre máquinas de roupa para lavar, horários pouco descansados, barulhos citadinos aos quais nos desabituamos, pessoas que não queremos ver e locais por onde não queremos cirandar. Cada vez mais tenho a noção da importância não só das férias, mas essencialmente do humor com que reanimamos o nosso reencontro com a rotina.





Talvez por isso tenhamos feito a coisa ao contrário. No regresso, voltámos a fugir e consumimos os últimos dias longe dos programas automáticos de lavagens, longe dos olhares curiosos, longe da vontade de reaparecer. Ainda com os pés enchardos de areia fina, mudámos o rumo serra acima, paisagem já bastante familiar e que, apesar de alguma distância, nos coloca a dois passos de casa. Deixámo-nos envolver pelo verde, enxaguámos a alma na água gelada de nascente, experimentámos o silêncio profundo do interior, adormecemos na total escuridão protegida da montanha e deliciámo-nos com novos-velhos sabores. 

Claro que este anti-regresso não foi de todo milagroso. Quem é que gosta de abandonar o compassado e perfeito pulsar do dolce far niente?  Mas uma coisa é certa, para além do privilégio de conhecer outras paragens deste nosso belo país, o lento acordar concretizou-se em dois passos suaves de humores retemperados.

Ingredientes
150gr de farinha
2 colheres de chá de fermento em pó
100gr de chocolate negro partido em quadradinhos
100gr de chocolate branco partido em quadradinhos
250gr de manteiga em cubos
150gr de açúcar refinado
4 ovos grandes
raspa de uma laranja

Peneiramos a farinha e o fermento para dentro de uma tigela. Derretemos o chocolate negro e branco e a manteiga em banho-maria, retiramos do lume e misturamos o açúcar. Juntamos os ovos e, finalmente, envolvemos a farinha e a raspa de laranja. Levamos ao forno, previamente aquecido a 180ºC durante cerca de 30 minutos. Desenformamos depois de frio e cortamos em quadrados. Acompanha bem com fruta fresca.




Ler mais

Refresco de Café e Limão (e uma sandes que não precisa de receita)

Partilha a tua sensação
Conhecem a Zé, a Ana, o Júlio, o David e o Tim? Não, não são politicos de um qualquer partido português, nem famosos acabados de sair de um reality show televisivo, nem tão pouco personalidades da história nacional. Uma dica: são eternamente jovens apaixonados por aventuras encantadoras e repletas de adrenalina. Na realidade, estas são as cinco personagens que acompanharam a minha infância e a transição para a adolescência. Recebi o meu primeiro livro d' Os Cinco (ou em inglês The Famous Five) quando tinha cerca de sete anos. Rapidamente me apaixonei. Eles tinham praticamente a minha idade, acampavam sozinhos sem a supervisão de um adulto e uma das protagonistas era Maria Rapaz tal como eu, e além disso era dona de uma ilha com um castelo repleto de história. Como poderia eu não me ter apaixonado logo pel' Os Cinco? Acredito que foi graças à obra da escritora Enid Blyton que o meu gosto pelo mar, pelo sossego das ilhas, pelos faróis, por barcos...enfim...por tudo o que está relacionado com a navegação marítima se desenvolveu. Cresci com os feitos extraordinários destes pequenos por exemplo em: Os Cinco na Ilha do Tesouro, Os Cinco na Torre do Farol, Os Cinco voltam à ilha, etc. Confesso que me arrepiava sempre com os relatos sobre os afundadores. Tanto que ainda hoje em adulta já procurei informação sobre este tema, para perceber se estes homens (que atraiam os barcos para as escarpas de Inglaterra, a fim de sacarem os bens preciosos) existiram ou não. Portanto, quando as férias de Verão chegam são muitas as vezes que a minha memória retrocede no tempo e me conduz às tardes veranis de leitura intensa acompanhada de refrescos e de magicação de aventuras. Adorava quando passava as férias em casa da avó e esta me preparava o seu Refresco Especial de Café e Limão. Ainda hoje são várias as vezes que o preparo, principalmente quando quero acompanhar petiscos ou comida mais light, como por exemplo uma bela e simples Sandes de Salmão fumado.





As férias deste ano, para além de muitos refrescos de café e limão, tiveram ainda uma grande aventura. De facto, as histórias não podem ficar só no papel e e eu decidi arriscar a minha própria história com uma viagem até às Ilhas Berlengas, ao largo de Peniche. Uma aventura com direito a histórias de pirata, a ataques de gavoitas, a grutas místicas e a termos técnicos que só os marinheiros conhecem. Fiquei deliciada.



Refresco de Café e Limão
Ingredientes: 2 colheres de sopa de café instantâneo, sumo de 1 limão pequeno, 3 colheres de sopa de açúcar amarelo, 1 litro de água

Juntamos o café instantâneo com o sumo de limão e mexemos bem até o café se dissolver completamemte.  Adicionamos o açúcar e a água. Mexemos bem. Colocamos a refrescar no frigorífico.

Sandes de Salmão Fumado
Ingredientes: 1 baguete integral, 2 colheres de sobremesa de queijo fresco, 2 fatias de salmão fumado, 2 folhas de alface e metade de um tomate pequeno coração de boi.

Com estes ingredientes preparamos uma sandes fresca. Podemos utilizar as duas colheres de sobremesa de queijo fresco ou usar de acordo com o nosso gosto.




Ler mais

Panquecas simples

Partilha a tua sensação
Existem alturas em que penso que cresci fora do habitat que seria esperado, a água salgada do oceano atlântico. Existem outras que penso que a minha vida antiga, (marinheiro ou pescador ou ainda pirata) ainda se encontra muito à flor da minha nova pele. Existem outras em que racionalmente sei que o que sinto é apenas uma paixão assolapada pelo mar, pela praia, pelo calor fresco do litoral a queimar-me e a enrugar-me a pele. Portanto, quando me falam em férias de verão, têm de me falar em areia dourada que juntamente com o salitre se agarra à pele e me embala em sonhos descansados, têm de me falar em desbravar sitios desconhecidos, têm de me falar em navegar em alto mar desafiando a linha do horizonte. Andar embarcado alimenta algo no meu âmago que por mais que tente explicar nem eu consigo exactamente alcançar. Talvez por isso, cada vez que termina esta pausa anual de descanso, uma quebra de adrenalina se abata sobre mim. Talvez por isso, e por mais que seja bom acordar na nossa familiar e confortável cama, este verão foi um bocadinho difícil dizer adeus aos sonhos marítimos. Nada que um regresso à cozinha, à comida de conforto e a novas receitas não possa atenuar.



 Esta receita surge inspirada no livro Brunch de Cláudia S. Villax e Sara de Lemos Macedo. Se não o têm e estão à procura "daquele" livro de culinária, então não procurem mais, é este.

Ingredientes
200ml de leite
250gr de farinha autolevedante
1 colher de sopa de manteiga derretida
2 ovos


Juntamos todos os ingredientes e batemos com uma batedeira eléctrica até  obtermos uma massa com textura elástica. Untamos uma frigideira antiaderente com um pouco de manteiga. Assim que a frigideira estiver quente vertemos nela uma concha de massa. Com cuidado vamos descolando os lados da panqueca com uma espátula até descolar perfeitamente. Viramos de lado quando isso acontece. Deixamos cozer do outro lado. Repetimos o processo com a restante massa. Estas panquecas acompanham bem quer algo doce como compotas, quer algo salgado como queijo ou fiambre ou até chourição.



Ler mais

Bolo de Iogurte e Mirtilos

2 sensações partilhadas
Há dois anos (mais coisa menos coisa) as minhas raízes estavam firmemente enterradas na terra rústica e verdejante que dá corpo ao que eu designo de meu campo. Há dois anos, quando finalmente a minha alma serenava com a certeza de que o coração habitava o campo por prazer, por vontade e não por hábito, ventos de mudança, sopraram na minha direcção. Os prós e os contras percorreram todos os ramos do meu ser e conduziram-me a uma profunda reflexão (na verdade foi uma reflexão a dois, como se quer numa mudança desta dimensão). Lembro-me das dúvidas, porque eu sou assim uma mulher sempre com inquietações, perguntas, questões e se’s atrás de se’s. A minha (mesmo minha) primeira casa iria ser no centro de um compacto bloco de cimento urbano? A construção da minha própria família iria começar mesmo no centro do perturbante ruído citadino? Por outro lado, estando no centro da cidade e trabalhando no centro da cidade não seria mais fácil poupar nos gastos? Não seria mais fácil a própria movimentação no dia-a-dia? Não seria mais prático fazer vida a dois neste ambiente? Obviamente, que vários factores, alguns mais racionais que outros foram tidos em conta nesta equação. Claro que foi com muito entusiasmo e a alma a brilhar de adrenalina e espectativa que enveredei numa viagem a dois até ao centro da cidade. Não sou rapariga de uma só realidade, de uma só experiência. Foi extremamente emotivo descobrir os pormenores da nova vida. Se senti saudades do campo? Pois claro que senti, que sinto todos os dias. Sinto saudades de acordar de manhã e de avistar as serras em vez de dar com os olhos no prédio da frente. Sinto saudades das lambedelas dos meus canídeos durante a semana, principalmente quando passeio no parque ao final do dia. Sinto falta dos cheiros a verde e a pinheiro aquecido pelo sol. Sinto falta dos sorrisos matinais do resto da família. Sinto falta do tamanho gigante do meu quarto.

Mas também é engraçado perceber que a vista do prédio da frente não é assim tão má. Uma das varandas tem flores bonitas que são tratadas cuidadosamente por quem as ama. No pátio que avisto da minha janela, um banquinho acolhe o amor de um casal bem idoso que aproveita os bons tempos (meteorológicos e de saúde). Nesse mesmo pátio, as asneiras sobem de tom quando o jogo de futebol da pequenada não corre como esperado. No parque quando passeio à noite dou elogios lamechas a todos os cães que vejo e aos mais dados afago lhes o focinho. E ao final do dia recebo o sorriso mais apaixonado, mais mimoso e mais meu. Todas as saudades são amenizadas. Sinto que as minhas raízes se estenderam. Agora sou daqui e sou de lá. Sou da cidade e do campo. Sou uma alma cheia de histórias, pormenores, realidades e boas pessoas que continuarão a alimentar a árvore andante que eu sou.



Ingredientes
150gr de manteiga à temperatura ambiente
6 ovos
1 iogurte grego natural (sem açúcar)
400gr de farinha sem fermento
2 colheres de chá de fermento em pó
250gr de mirtilos frescos

Misturamos a manteiga e o açúcar numa batedeira fixa e batemos até obtermos um creme leve e fofo. Juntamos os ovos um a um, misturamos bem e  raspamos os ingredientes dos lados da tigela com uma espátula de borracha depois de juntar cada ovo. Adicionamos a farinha e o fermento e misturamos bem até ficarem bem incorporados na restante mistura. Juntamos o iogurte grego e os mirtilos.  A mistura deve ficar leve e fofa. Deitamos a mistura na forma previamente untada e alisamos com uma espátula. Colocamos no forno previamente aquecido a 170ºC e deixamos cozer durante 30 minutos ou até a massa ficar dourada e fofa ao toque. Quando o bolo estiver frio cubrimos o topo com uma cobertura à escolha. Neste caso, escolhi uma cobertura de ricota.

Ingredientes para a cobertura de ricota
250gr de ricota
50gr de manteiga sem sal, à temperatura ambiente
150gr de açúcar em pó

Batemos o açúcar em pó e a manteiga numa batedeira na velocidade média até que a mistura fique bem incorporada e bem ligada. Juntamos a ricota de uma só vez e batemos até ficar completamente incorporada. Aumentamos a velocidade da batedeira e batemos durante cerca de três minutos.




Ler mais

Bolinhas de Atum

2 sensações partilhadas
As árvores que me acompanham entre o percurso casa - trabalho agitam-se constantemente sem descanso algum. Seja livremente, aproveitando a brisa mais forte, seja por obrigação devido à oscilação provocada pela intensa circulação automóvel. As árvores da minha rua são a casa de centenas de aves, que chilreiam e esvoaçam loucamente quando a noite insiste em cair sobre a cidade. As árvores que ladeiam o passeio que sigo todos os dias embalam as conversas dos comerciantes que serenam as horas mortas debaixo das sombras frescas. Depois de dois anos a viver na cidade, só na semana passada estas minhas árvores citadinas me entraram olhos a dentro, em direcção à alma. Na semana passada, os meus cinco minutos de caminhada energética entre casa – trabalho – casa transformaram-se em mais de 20 minutos pesarosos e dolorosos, mas também de contemplação. Às vezes é preciso ter estofo para transformar uma contrariedade em algo positivo. E eu confesso que não tenho essa maturidade. Ou pelo menos ainda não a atingi. Mas fico contente por pelo menos, entre um momento de irritação ou outro, ter tido o discernimento de dedicar o meu contratempo a conhecer as árvores da minha rua. São Lindas. E eu sou uma sortuda. Quando a vida nos obriga a abrandar, ganhamos imensidão.


Estava a trabalhar num post sobre piqueniques (locais, conselhos, etc) quando as costas me falharam. Acho que esse post vai ter de ficar para outra altura, quando estiver a 100 por cento. Mas antes que o Outono chegue (sim, eu sei sou uma exagerada), tinha mesmo de partilhar esta receita simples (mais simples era impossível) e óptima para piqueniques em dias de calor.





Ingredientes
1 lata de atum
1 cebola
Salsa (a gosto)
1 ovo (mais outro para panar as bolinhas)
3 colheres de sopa de pão ralado (mais algum para panar as bolinhas)

Picamos a cebola e a salsa num robot de cozinha. Juntamos o atum, a cebola, o ovo, e o pão ralado e procuramos obter uma massa consistente o suficiente para moldar pequenas bolinhas. Caso a mistura esteja muito liquida adiccionamos um pouco mais de pão ralado. Panamos as bolinhas de atum em ovo e pão ralado e fritamos até ficarem douradas.



Ler mais

Gelado de Cereja, Coco e Chocolate Negro

2 sensações partilhadas
Quando as tardes quentes de Verão se abatiam sob a casa dos avós, eu era obrigada a abandonar o meu refúgio de eleição, o terraço, ou talvez possa dizer a eira construida em altura. Eu fugia das temperaturas elevadas e cedia o meu lugar ao milho e a alguns legumes, que necessitavam de longa exposição para se tornarem comestíveis. Quando as tardes quentes de Verão se abatiam sob a casa dos avós, eles dormiam a sesta, retemperavam as forças gastas nas rotinas rurais. Já eu carregava o semblante com uma birra alérgica a dormidelas durante a tarde. Quando as tardes quentes de Verão se abatiam sob a casa dos avós, e o terraço acumulava todo o bafo do mundo, eu era obrigada a procurar asilo noutras paragens,  mais frescas.

Encetando o meu fluxo migratório por entre as árvores do pomar, o meu plano B encarregava-se de eleger sempre a imponente cerejeira,  com as suas ramagens gigantes, que tocavam o azul celeste limpido. Lembro-me que a agilidade, dessas tardes estivais, assumia a postura de felino e içava o corpo para o mais alto que os braços conseguissem alcançar. Mesmo com alguns precalços, ramos quebrados e rasgões nas pernas, a cerejeira embalava-me suavamente, num movimento sibilado pelo vento anemo próprio das tardes quentes de Verão.


Ingredientes
50 gr de cerejas caramelizadas
400ml de natas
400ml de leite de coco
50gr de lascas de chocolate negro
6 colheres de sopa de açúcar
10 colheres de compota de cereja
Raspas de chocolate negro

Cerejas Caramelizadas
Lavamos e retiramos os caroços às cerejas. Colocamos as cerejas num tacho com três colheres de açúcar e sumo de meio limão. Levamos ao lume durante cinco minutos até que as cerejas apresentem uma textura de caramelo. Reservamos. Atenção, as cerejas só devem ser adicionadas ao gelado depois de estarem completamente frias.

Gelado
Batemos as natas juntamente com quatro colheres de sopa de açúcar branco, até estas ficarem bem firmes. As natas devem ser colocadas a refrigerar antes de serem batidas. Fazemos o mesmo processo com o leite de coco, juntamente com duas colheres de sopa açúcar branco. Juntamos as natas, o leite de coco e as colheres de compota de cereja. Cá por casa não temos máquina de gelados, portanto, utilizamos mesmo o congelador. Deitamos a mistura num recipiente que possa ir ao congelador. De 30 em 30 minuts, durante duas horas, batemos o gelado para prevenir a formação de cristais de gelo. Após as duas horas, colocamos por cima do gelado as cerejas caramelizadas e a raspa de chocolate. Vai novamente ao congelador. Devemos retirar 10 minutos antes de servir.







Ler mais
Publicação anteriorMensagens antigas Página inicial