sexta-feira, 22 de Agosto de 2014

Alimentar a alma

Desde que me conheço que sinto o bichinho das viagens, de explorar novos lugares, de me embrenhar nas sensações proporcionadas por diferentes realidades, saberes, cheiros e culturas. Herança dos meus pais que embora sem posses para aviões ou destinos além fronteiras, deram-me a conhecer Portugal de Norte a Sul, de Este a Oeste, desde tenra idade.Só recentemente é que ganhei asas e encetei a descoberta das capitais dos países da Europa. Adoro este continente antigo, onde a tradição se mistura com a modernidade, onde as diferentes culturas cohabitam de forma harmoniosa. Sinto me sempre mais crescida cada vez que piso solo estranho, ou que sou forçada a falar um língua diferente, ou que sou forçada a experimentar comidas que não me são familiares. Talvez, viajar seja o melhor método para alimentar a alma de boas sensações.








domingo, 18 de Maio de 2014

Happy World Baking Day'14

Quem passa regularmente por este Reservatório de Sensações sabe como eu adoro boas desculpas para ligar o forno e confecionar mimos para toda a família. O World Baking Day que se celebrou hoje, incentivou-me a experimentar aquela receita que há muito queria tentar, mas que estava sempre a adiar, nem sei bem porquê. A receita encontrei-a no meu livro de receitas favorito, "Bolos para a Família", de Sarah Randell. Um livro delicioso, desde as propostas de receitas, até às fotografias que são lindas. Sempre tive a ideia de que fazer cheesecake era muito complicado, mas esta receita de Cheesecake de Abóbora é muito simples e prática. Adicionei-lhe algumas alterações, relacionadas com a escolha de ingredientes e com a não utilização de alguns condimentos com os quais não me dou muito bem. Ainda faltam umas horitas para terminar o World Baking Day, portanto, podem ligar o forno e confeccionar uns miminhos, seja em formato de bolo, de queques ou de tartes.



Ingredientes
100gr de manteiga (derretida)
125gr de bolacha Maria
200gr de queijo creme
100gr de requeijão light
200gr de puré de abóbora (utilizei abóbora hokkaido, produção biológica Bynatura)
100gr de açúcar branco refinado
2 ovos tamanho médio, ligeiramente batidos
1 colher de chá de canela

 
Aquecemos previamente o forno à temperatura de 150ºC. Preparamos a base com a bolacha. Derretemos a manteiga numa caçarola pequena e deixamos arrefecer ligeiramente. Trituramos a bolacha numa picadora. Acrescentamos toda a manteiga derretida e misturamos. Distribuimos a massa pela forma e comprimimos firmemente com a superfície bojuda de uma colher de sopa. Colocamos o queijo-creme, o requeijão, o puré da abóbora (o puré deve ser feito de vespéra ou de forma a que arrefeça completamente), o açúcar na tigela de uma misturadora eléctrica. Batemos até obtermos uma massa ligada e macia. Deitamos esta mistura na forma. Levamos ao forno durante cerca de 25 minutos.. Deixamos arrefecer completamente.


quinta-feira, 1 de Maio de 2014

Um pão que lembra o campo

Já faziam falta os dias quentes, a antecipar o Verão, a convidar para deitar mãos à terra. Aproveitando o feriado, plantei uma quantidade doida de girassóis. Não é a melhor altura para os semear, mas como o tempo tem sido pouco, tive mesmo de aproveitar o dia de hoje. E como é bom mexer na terra, dar-lhe mimo e gerar nela algo. Mesmo que isso exija muito trabalho. Mas todo o trabalho recompensa. O meu teve como recompensa um almoço piquenique, com uma das iguarias que mais aprecio: Polvo à Lagareiro. Claro que toda esta inspiração campestre e rural, acabou por me guiar até à cozinha e a confeccionar um pão que lembra a natureza e os lanches de grupo depois de horas de trabalho no campo: Pão de Oregãos e Azeite.


Ingredientes
500gr de farinha de trigo
1 pacote de levedura
300 ml de água morna
1 pitada de flor de sal
1 colher de sopa de oregãos
30ml de azeite



Peneiramos a farinha para dentro de uma taça grande. Juntamos a levedura, a flor de sal e os oregãos. Misturamos e amassamos tudo com água morna e o azeite, até a massa ficar uniforme e ganhar alguma elasticidade. Deixamos levedar durante quarenta minutos. Após os quarenta minutos, sovamos a massa  e colocamo-la numa forma untada com azeite. Deixamos levedar em sítio quente mais trinta minutos. Levamos ao forno, previamente aquecido a 160ºC durante cerca de trinta minutos. No fundo do forno devemos colocar uma forma com água.


domingo, 6 de Abril de 2014

Um gosto especial

Adoro planear rotas. Pensar e idealizar qual será o passeio do próximo fim-de-semana, semana ou mês. Gosto de imaginar que estou sempre em transito, entre a minha casa, o meu lar, que não troco por nada deste mundo, e um qualquer sítio ou zona que me permita conhecer novas pessoas, novos lugares, novas culturas, novas surpresas. Talvez seja uma forma de contrariar algo que me irrita profundamente, a rotina amorfa que muitas vezes, com o correr dos dias, deixamos que se instale na nossa vida.

O último passeio teve como desculpa inicial a visita a alguns castelos que pertencem à Rota dos Castelos de Fronteira. Mas a verdade é que houve muito mais neste périplo. Castelo Rodrigo, que desconhecia por completo, conquistou-me com a sua beleza simples, com as gentes simpáticas que de forma espontânea me contaram segredos, sabedorias e curiosidades da terra. 

Assim que se avista ao longe esta aleidas histórica, nunca mais se perde da vista. O tom ocre dá uma uniformidade à paisagem, criando a ilusão de que no cimo do monte existe apenas um grande edifício e não um conjunto de diversas habitações. Quando se aporta nesta aldeia, respira-se tranquilidade e o tempo passa lentamente, impregnando a alma de uma sensação doce.Privilegios nem sempre fáceis de encontrar. Uma caminhada por entre o casario é uma experiência relaxante, com vistas panorâmicas fantásticas. Caso passem por estas bandas, fixem estas sugestões: Cisterna, Castelo, Sabores do Castelo e Convento de Santa Maria de Aguiar.







sexta-feira, 4 de Abril de 2014

Receita para gulosos

Se são gulosos como eu têm mesmo de provar esta receita.

Bolo Chiffon de Chocolate


1 e ¾ chávenas de açúcar 
2 chávenas de farinha 
3 colheres de chá de fermento 
½ Chávena de chocolate em pó 
½ chávena de óleo 
¾ de chávena de água quente 6 ovos 

Separamos as gemas das claras. Batemos as claras em castelo e reservamos. Numa taça juntamos as gemas, o açúcar e o óleo. Misturamos tudo com a batedeira eléctrica. Juntamos a farinha e o fermento e batemos. Adicionamos o chocolate dissolvido na água quente. Depois de todos os ingredientes estarem bem incorporados, vamos aos poucos juntando a esta mistura as claras batidas em castelo. Deitamos a massa numa forma untada e levamos ao forno, previamente pré-aquecido a 160ºC, durante cerca de 45 minutos. 

Cobertura 
1 Chávena de leite 
2 colheres de sopa de açúcar 
1 colher de sopa de maizena 
1 colher de sopa de chocolate em pó 
1 colher de sobremesa de Margarina 

Deitam-se todos os ingredientes num recipiente que possa ir ao lume. Sempre em lume brando mexemos até a mistura engrossar. Ter atenção para que a maizena não forme grumos. Assim que esteja pronto, espalhar imediatamente sobre o bolo.

segunda-feira, 31 de Março de 2014

Amanheceres mágicos

Sentir o som do amanhecer livre que só acontece em alguns sítios, naqueles que fogem à rotina, é uma benção. Nestes sítios mágicos, onde não se conhece a pressa, nem o frenesim do quotidiano laboral, os pássaros chilreiam incessantemente numa alegria contagiante, o sol inunda o quarto entrando pela vidraça da porta, a manta de burel aquece o corpo repousado em colchões de verdadeira pincesa. Um cenário que nos convida a esquecer a realidade, a não voltar à normalidade, que nos convida a entregar o corpo e a alma a 100 por cento aos mimos, aos cuidados atentos, aos sorrisos simpáticos. Há amanheceres, em que a vida parece acordar com uma vontade redobrada e com uma energia imparável.










Casa da Cisterna, um sítio mágico, que proporciona um acordar inesquecível.

quarta-feira, 26 de Março de 2014

Receber a Primavera nas Nuvens

Não sou do tipo de me deixar afectar com a mudança de estações. Claro que há sempre uma outra alteração ao nível de humor, mas coisa ligeira. Até ver tenho encontrado sempre o lado bom dos ciclos, dos inícios e dos fins das características temporais. Não quer isto dizer, que as estações do ano me sejam indiferentes. Muito antes pelo contrário. Gosto de celebrar a mudança, gosto de me adaptar a cada estação do ano com o planeamento de algumas tarefas/actividades que me permitam desfrutar do frio e da chuva no Inverno, do cheiro a fresco tão típico da Primavera, da areia no pé no Verão ou dos tons acastanhados do Outono. Gosto de me adaptar e tirar proveito dessa adaptação. Por isso mesmo, este fim-de-semana, decidi que a sobremesa do almoço de família tinha de ser uma espécie de mensagem acolhedora para a Primavera. E neste exercício de procurar algo que identificasse esta estação, lembrei-me de algo que fazia durante a minha infância nesta altura do ano. Com os primeiros raios de sol quentes, adorava subir ao terraço de casa dos meus avós e absorver todo o calor. Muitas vezes passava horas, deitada neste espaço, com os olhos postos nas nuvens altas e escassas, que eram arrastadas e manipuladas pela brisa primaveril. Imaginava histórias, algumas mais elaboradas que outras. Ficava pasmada com a explosão de tonalidades na linha do horizonte a quando do nascer ou do por do sol. E foi com o pensamento colocado no terraço, com vista privilegiada para um céu mágico que esta receita me chegou às mãos. Uma receita tão leve como uma nuvem simpática.


Nuvem
Ingredientes
4 claras
4 gemas
250gr de açúcar em pó
Açúcar granulado q.b.

Untamos um tabuleiro de ir à mesa, que possa ir ao forno e polvilhamos com açúcar granulado. Reservamos. Batemos as claras em castelo, juntamos 200gr de açúcar em pó e batemos um pouco mais até obtermos um merengue bastante firme. Colocamos o merengue dentro do tabuleiro e alisamos com um espátula. Batemos as gemas com 50gr de açúcar em pó. Vertemos esta mistura sobre o merengue. Levamos a cozinhar em forno previamente aquecido a 170ºC durante cerca de 10 minutos. Deixamos arrefecer e servimos frio.

domingo, 16 de Março de 2014

Os fins-de-semana são da família

Para mim fim-de-semana é sinónmo de família, sinónimo de casa cheia, gargalhadas e muita confusão. Adoro encher a casa. Mesmo que isso signifique uma cozinha repleta de loiça suja.





E claro, sempre que há reunião familiar não pode faltar um docinho. A última experiência foi mesmo docinha, com sabor a leite condensado e com o alto patrocínio da Vahiné. Lembram-se do cabaz da Vahiné que tive a felicidade de receber num passatempo promovido pelo Blog Lume Brando. Pois bem, o primeiro produto que utilizei foi esta cobertura, mas de uma forma diferente, mas muito simples e rápida de concretizar. Aconselho esta receita a todas as pessoas que pretendam apresentar uma sobremesa bonita mas que não dipoêm de muito tempo.



 Bolo de Leite Condensado



1lata de leite condensado
120gr de farinha de trigo
4 ovos
1 colher de sopa de fermento
50gr de manteiga
3 colheres de sopa de cobertura de framboesa da Vahiné




 Juntamos todos os ingredientes numa taça, mexemos bem até que estejam bem ligados. Levamos ao forno, previamente aquecido a 180ºC, durante cerca de 35 minutos.

domingo, 2 de Março de 2014

Uma nova experiência (uma recordação de infância)

Cresci numa aldeia. Pequena e pacata. Todas as manhãs me lembro desse sítio. Ou melhor, lembro-me do pão fresco que me era "servido" ao Pequeno-Almoço. Fresquissimo, saboroso, trabalhado com amor (digo eu hoje em dia). Pão esse que era entregue entre as seis e as sete da manhã de uma forma bastante peculiar. Na realidade esta entregua era realizada tendo por base um código simples mas eficaz. Quem desejava ter pão fresco logo pela manhã, deixava um saco de plástico com o dinheiro certo para a quantidade de pães apetecida pendurado por fora da porta ou portão de casa. Claro que havia sempre um diálogo prévio com o Padeiro, para que ficasse estipulado qual o tipo de pão pretendido. Mas posto isso, a entrega era feita assim. Num silêncio combinado. O Padeiro já sabia que nas portas que ostentassem um saco de plástico com dinheiro, era sinal que as pessoas queriam um ter um pequeno-almoço fofo e aconchegante. Várias vezes, devido a questões familiares que me obrigavam a levantar cedo, me cruzei com o Padeiro e os seus ajudantes na distribuição. Era um orgulho, quando isso acontecia e eu própria levava o saco já bem composto para dentro de casa. Acreditam que não me lembro de alguma vez ter desaparecido o dinheiro dos ditos sacos? Era como se aquele sistema tivesse sido de alguma forma aprovado em assembleia moral colectiva. Gosto de pensar que havia um respeito pelo pão. O pão que alimenta os homens. De facto, algumas famílias só possuiam os "tostões" para comprar aquela iguaria e pouco mais. Apesar de todas as mudanças ocorridas desde a minha infância até aos dias de hoje, algumas pessoas ainda mantêm este sistema. Na cidade, não deixo de ter pão fresco logo pela manhã, mas não há uma relação de proximidade nesta aquisição.

Talvez por isso, este fim-de-semana decidi tentar confeccionar o meu próprio pão. Comecei por uma receita simples, muito simples. O resultado não foi perfeito, mas foi bastante satisfatório. Todo o processo me lembrou as tardes em que a minha avó amassava e cozia em forno de lenha Broas de Milho.




Ingredientes
400 gr de farinha de espelta
100 gr de farinha de trigo
1 saqueta de levedura seca
1 colher de sopa de azeite
300 ml de água morna
4 colheres de sementes de sésamo




Numa taça, misturamos as farinhas e o fermento. Abrimos um buraco no meio e juntamos o azeite, a água morna e as sementes. Amassamos bem até obtermos uma massa que se liberte das paredes da taça. Se neessário acrestamos mais farinha ou água morna. Amassamos até a massa ser macia e elástica. Formamos uma bola com a massa e colocamo-la em cima de uma tábua enfarinhada e cobrimo-la com uma taça. Deixamos levedar durante 45 minutos, até a massa dobrar de volume. Ao fim desse tempo, batemos com os nós dos dedos na massa para libertarmos algum ar. Voltamos a moldar a massa numa bola e tapamos novamente com a taça durante 15 minutos. Findo esse tempo, voltamos a amassar. Rolamos a massa por cima de algumas sementes extra. Cubrimos com um pano e deixamos levedar durante 45 minutos. Pré-aquecemos o forno a 210º. Quando o forno estiver quente colocamos a massa numa forma previamente untada, na grelha do meio. No fundo do tabuleiro devemos inserir um tabuleiro com 250 ml de água fria. Deixamos cozinhar durante 30 minutos.



domingo, 23 de Fevereiro de 2014

Um bolo para aquecer o coração

Pensei que iria passar o fim-de-semana rabugenta. Na sexta-feira, quando me apercebi que teria de despender o fim-de-semana agarrada ao computador a trabalhar, fiquei logo de mau humor. Mas a verdade é que não devemos sofrer por antecipação, devemo-nos deixar ir pelas surpresas dos dias. E este fim-de-semana foi uma bela surpresa. Calma, pacifica, aconchegante. Apesar do trabalho que teve de ser feito, houve imenso tempo para mimar a casa, brincar com as duas bolas de pelo de quatro patas, para namorar e para manter a caminhada matinal de domingo que me tem permitido fazer a fotosintesse necessária para encarar o início de semana com outra alma. Não houve tempo para receitas, nem para novas experiências culinárias. Isso terá de ficar para o próximo fim-de-semana. Mas enquanto o próximo fim-de-semana não chega deixo-vos esta receita que me tinha esquecido de partilhar. Bolo de Maçã com Jeropiga. Aquece o coração e a alma.




450gr de maçãs
150gr de farinha de trigo branca
250gr de farinha de trigo integral
1 colher de sopa de fermento em pó
1 colher de sobremesa de canela
150gr de açúcar mascavado
2 ovos grandes
100ml de leite de soja
1 colher de sopa de jeropiga
100gr de manteiga

Aquecemos previamente o forno à temperatura de 180ºC. Batemos as farinhas, o fermento, a canela, a manteiga, o açúcar e os ovos, o leite e a jeropiga numa tigela, incorporando-os bem. Adicionamos as maçãs, previamente descascadas, limpas e cortadas em pedaços de 1 cm. Deitamos a massa na forma já preparada. Levamos ao forno durante aproximadamente 45 min. Se quiseres depois de frio, podem fazer uma calda de mel e regar o bolo.