domingo, 6 de Abril de 2014

Um gosto especial

Adoro planear rotas. Pensar e idealizar qual será o passeio do próximo fim-de-semana, semana ou mês. Gosto de imaginar que estou sempre em transito, entre a minha casa, o meu lar, que não troco por nada deste mundo, e um qualquer sítio ou zona que me permita conhecer novas pessoas, novos lugares, novas culturas, novas surpresas. Talvez seja uma forma de contrariar algo que me irrita profundamente, a rotina amorfa que muitas vezes, com o correr dos dias, deixamos que se instale na nossa vida.

O último passeio teve como desculpa inicial a visita a alguns castelos que pertencem à Rota dos Castelos de Fronteira. Mas a verdade é que houve muito mais neste périplo. Castelo Rodrigo, que desconhecia por completo, conquistou-me com a sua beleza simples, com as gentes simpáticas que de forma espontânea me contaram segredos, sabedorias e curiosidades da terra. 

Assim que se avista ao longe esta aleidas histórica, nunca mais se perde da vista. O tom ocre dá uma uniformidade à paisagem, criando a ilusão de que no cimo do monte existe apenas um grande edifício e não um conjunto de diversas habitações. Quando se aporta nesta aldeia, respira-se tranquilidade e o tempo passa lentamente, impregnando a alma de uma sensação doce.Privilegios nem sempre fáceis de encontrar. Uma caminhada por entre o casario é uma experiência relaxante, com vistas panorâmicas fantásticas. Caso passem por estas bandas, fixem estas sugestões: Cisterna, Castelo, Sabores do Castelo e Convento de Santa Maria de Aguiar.







sexta-feira, 4 de Abril de 2014

Receita para gulosos

Se são gulosos como eu têm mesmo de provar esta receita.

Bolo Chiffon de Chocolate


1 e ¾ chávenas de açúcar 
2 chávenas de farinha 
3 colheres de chá de fermento 
½ Chávena de chocolate em pó 
½ chávena de óleo 
¾ de chávena de água quente 6 ovos 

Separamos as gemas das claras. Batemos as claras em castelo e reservamos. Numa taça juntamos as gemas, o açúcar e o óleo. Misturamos tudo com a batedeira eléctrica. Juntamos a farinha e o fermento e batemos. Adicionamos o chocolate dissolvido na água quente. Depois de todos os ingredientes estarem bem incorporados, vamos aos poucos juntando a esta mistura as claras batidas em castelo. Deitamos a massa numa forma untada e levamos ao forno, previamente pré-aquecido a 160ºC, durante cerca de 45 minutos. 

Cobertura 
1 Chávena de leite 
2 colheres de sopa de açúcar 
1 colher de sopa de maizena 
1 colher de sopa de chocolate em pó 
1 colher de sobremesa de Margarina 

Deitam-se todos os ingredientes num recipiente que possa ir ao lume. Sempre em lume brando mexemos até a mistura engrossar. Ter atenção para que a maizena não forme grumos. Assim que esteja pronto, espalhar imediatamente sobre o bolo.

segunda-feira, 31 de Março de 2014

Amanheceres mágicos

Sentir o som do amanhecer livre que só acontece em alguns sítios, naqueles que fogem à rotina, é uma benção. Nestes sítios mágicos, onde não se conhece a pressa, nem o frenesim do quotidiano laboral, os pássaros chilreiam incessantemente numa alegria contagiante, o sol inunda o quarto entrando pela vidraça da porta, a manta de burel aquece o corpo repousado em colchões de verdadeira pincesa. Um cenário que nos convida a esquecer a realidade, a não voltar à normalidade, que nos convida a entregar o corpo e a alma a 100 por cento aos mimos, aos cuidados atentos, aos sorrisos simpáticos. Há amanheceres, em que a vida parece acordar com uma vontade redobrada e com uma energia imparável.










Casa da Cisterna, um sítio mágico, que proporciona um acordar inesquecível.

quarta-feira, 26 de Março de 2014

Receber a Primavera nas Nuvens

Não sou do tipo de me deixar afectar com a mudança de estações. Claro que há sempre uma outra alteração ao nível de humor, mas coisa ligeira. Até ver tenho encontrado sempre o lado bom dos ciclos, dos inícios e dos fins das características temporais. Não quer isto dizer, que as estações do ano me sejam indiferentes. Muito antes pelo contrário. Gosto de celebrar a mudança, gosto de me adaptar a cada estação do ano com o planeamento de algumas tarefas/actividades que me permitam desfrutar do frio e da chuva no Inverno, do cheiro a fresco tão típico da Primavera, da areia no pé no Verão ou dos tons acastanhados do Outono. Gosto de me adaptar e tirar proveito dessa adaptação. Por isso mesmo, este fim-de-semana, decidi que a sobremesa do almoço de família tinha de ser uma espécie de mensagem acolhedora para a Primavera. E neste exercício de procurar algo que identificasse esta estação, lembrei-me de algo que fazia durante a minha infância nesta altura do ano. Com os primeiros raios de sol quentes, adorava subir ao terraço de casa dos meus avós e absorver todo o calor. Muitas vezes passava horas, deitada neste espaço, com os olhos postos nas nuvens altas e escassas, que eram arrastadas e manipuladas pela brisa primaveril. Imaginava histórias, algumas mais elaboradas que outras. Ficava pasmada com a explosão de tonalidades na linha do horizonte a quando do nascer ou do por do sol. E foi com o pensamento colocado no terraço, com vista privilegiada para um céu mágico que esta receita me chegou às mãos. Uma receita tão leve como uma nuvem simpática.


Nuvem
Ingredientes
4 claras
4 gemas
250gr de açúcar em pó
Açúcar granulado q.b.

Untamos um tabuleiro de ir à mesa, que possa ir ao forno e polvilhamos com açúcar granulado. Reservamos. Batemos as claras em castelo, juntamos 200gr de açúcar em pó e batemos um pouco mais até obtermos um merengue bastante firme. Colocamos o merengue dentro do tabuleiro e alisamos com um espátula. Batemos as gemas com 50gr de açúcar em pó. Vertemos esta mistura sobre o merengue. Levamos a cozinhar em forno previamente aquecido a 170ºC durante cerca de 10 minutos. Deixamos arrefecer e servimos frio.

domingo, 16 de Março de 2014

Os fins-de-semana são da família

Para mim fim-de-semana é sinónmo de família, sinónimo de casa cheia, gargalhadas e muita confusão. Adoro encher a casa. Mesmo que isso signifique uma cozinha repleta de loiça suja.





E claro, sempre que há reunião familiar não pode faltar um docinho. A última experiência foi mesmo docinha, com sabor a leite condensado e com o alto patrocínio da Vahiné. Lembram-se do cabaz da Vahiné que tive a felicidade de receber num passatempo promovido pelo Blog Lume Brando. Pois bem, o primeiro produto que utilizei foi esta cobertura, mas de uma forma diferente, mas muito simples e rápida de concretizar. Aconselho esta receita a todas as pessoas que pretendam apresentar uma sobremesa bonita mas que não dipoêm de muito tempo.



 Bolo de Leite Condensado



1lata de leite condensado
120gr de farinha de trigo
4 ovos
1 colher de sopa de fermento
50gr de manteiga
3 colheres de sopa de cobertura de framboesa da Vahiné




 Juntamos todos os ingredientes numa taça, mexemos bem até que estejam bem ligados. Levamos ao forno, previamente aquecido a 180ºC, durante cerca de 35 minutos.

domingo, 2 de Março de 2014

Uma nova experiência (uma recordação de infância)

Cresci numa aldeia. Pequena e pacata. Todas as manhãs me lembro desse sítio. Ou melhor, lembro-me do pão fresco que me era "servido" ao Pequeno-Almoço. Fresquissimo, saboroso, trabalhado com amor (digo eu hoje em dia). Pão esse que era entregue entre as seis e as sete da manhã de uma forma bastante peculiar. Na realidade esta entregua era realizada tendo por base um código simples mas eficaz. Quem desejava ter pão fresco logo pela manhã, deixava um saco de plástico com o dinheiro certo para a quantidade de pães apetecida pendurado por fora da porta ou portão de casa. Claro que havia sempre um diálogo prévio com o Padeiro, para que ficasse estipulado qual o tipo de pão pretendido. Mas posto isso, a entrega era feita assim. Num silêncio combinado. O Padeiro já sabia que nas portas que ostentassem um saco de plástico com dinheiro, era sinal que as pessoas queriam um ter um pequeno-almoço fofo e aconchegante. Várias vezes, devido a questões familiares que me obrigavam a levantar cedo, me cruzei com o Padeiro e os seus ajudantes na distribuição. Era um orgulho, quando isso acontecia e eu própria levava o saco já bem composto para dentro de casa. Acreditam que não me lembro de alguma vez ter desaparecido o dinheiro dos ditos sacos? Era como se aquele sistema tivesse sido de alguma forma aprovado em assembleia moral colectiva. Gosto de pensar que havia um respeito pelo pão. O pão que alimenta os homens. De facto, algumas famílias só possuiam os "tostões" para comprar aquela iguaria e pouco mais. Apesar de todas as mudanças ocorridas desde a minha infância até aos dias de hoje, algumas pessoas ainda mantêm este sistema. Na cidade, não deixo de ter pão fresco logo pela manhã, mas não há uma relação de proximidade nesta aquisição.

Talvez por isso, este fim-de-semana decidi tentar confeccionar o meu próprio pão. Comecei por uma receita simples, muito simples. O resultado não foi perfeito, mas foi bastante satisfatório. Todo o processo me lembrou as tardes em que a minha avó amassava e cozia em forno de lenha Broas de Milho.




Ingredientes
400 gr de farinha de espelta
100 gr de farinha de trigo
1 saqueta de levedura seca
1 colher de sopa de azeite
300 ml de água morna
4 colheres de sementes de sésamo




Numa taça, misturamos as farinhas e o fermento. Abrimos um buraco no meio e juntamos o azeite, a água morna e as sementes. Amassamos bem até obtermos uma massa que se liberte das paredes da taça. Se neessário acrestamos mais farinha ou água morna. Amassamos até a massa ser macia e elástica. Formamos uma bola com a massa e colocamo-la em cima de uma tábua enfarinhada e cobrimo-la com uma taça. Deixamos levedar durante 45 minutos, até a massa dobrar de volume. Ao fim desse tempo, batemos com os nós dos dedos na massa para libertarmos algum ar. Voltamos a moldar a massa numa bola e tapamos novamente com a taça durante 15 minutos. Findo esse tempo, voltamos a amassar. Rolamos a massa por cima de algumas sementes extra. Cubrimos com um pano e deixamos levedar durante 45 minutos. Pré-aquecemos o forno a 210º. Quando o forno estiver quente colocamos a massa numa forma previamente untada, na grelha do meio. No fundo do tabuleiro devemos inserir um tabuleiro com 250 ml de água fria. Deixamos cozinhar durante 30 minutos.



domingo, 23 de Fevereiro de 2014

Um bolo para aquecer o coração

Pensei que iria passar o fim-de-semana rabugenta. Na sexta-feira, quando me apercebi que teria de despender o fim-de-semana agarrada ao computador a trabalhar, fiquei logo de mau humor. Mas a verdade é que não devemos sofrer por antecipação, devemo-nos deixar ir pelas surpresas dos dias. E este fim-de-semana foi uma bela surpresa. Calma, pacifica, aconchegante. Apesar do trabalho que teve de ser feito, houve imenso tempo para mimar a casa, brincar com as duas bolas de pelo de quatro patas, para namorar e para manter a caminhada matinal de domingo que me tem permitido fazer a fotosintesse necessária para encarar o início de semana com outra alma. Não houve tempo para receitas, nem para novas experiências culinárias. Isso terá de ficar para o próximo fim-de-semana. Mas enquanto o próximo fim-de-semana não chega deixo-vos esta receita que me tinha esquecido de partilhar. Bolo de Maçã com Jeropiga. Aquece o coração e a alma.




450gr de maçãs
150gr de farinha de trigo branca
250gr de farinha de trigo integral
1 colher de sopa de fermento em pó
1 colher de sobremesa de canela
150gr de açúcar mascavado
2 ovos grandes
100ml de leite de soja
1 colher de sopa de jeropiga
100gr de manteiga

Aquecemos previamente o forno à temperatura de 180ºC. Batemos as farinhas, o fermento, a canela, a manteiga, o açúcar e os ovos, o leite e a jeropiga numa tigela, incorporando-os bem. Adicionamos as maçãs, previamente descascadas, limpas e cortadas em pedaços de 1 cm. Deitamos a massa na forma já preparada. Levamos ao forno durante aproximadamente 45 min. Se quiseres depois de frio, podem fazer uma calda de mel e regar o bolo.


sexta-feira, 21 de Fevereiro de 2014

Uma história carinhosa digna de um filme

Surgiu nas nossas vidas um pouco por acaso. A M. tinha medo de cães e esse era um medo que tinha de ser combatido o quanto antes. Primeiro porque toda a família adora estes felpudos de quatro patas, e segundo porque os receios muitas vezes toldam-nos a forma de agir e atribuiem-nos um pânico que nos deixa impotentes e paralizados perante situações que envolvam esse medo. E isso tinha de ser contornado. Mas enquanto decidiamos o que fazer, uma pessoa amiga acabou por nos oferecer um rafeirinho super fofo, repleto de pelo e extremamente hiperactivo. 

Foi para nossa casa com um mês de idade. A M achou-lhe muita piada, mas manteve sempre a distância. A verdade é que a bola de pelo, batizada de Peter, adorava ferrar os dentes afiados. Brincadeiras de cachorro, naturais, mas que por vezes assustam as crianças. Apesar disso, o Peter era o constante tema de conversa. O Peter fez isto, o Peter fez aquilo, o Peter quer isto, o Peter não pode comer aquilo. Rapidamente, a família ficou rendida aos encantos de um cachorro minorca, felpudo, que roía todos os sapatos, que se aninhava nas pernas de alguém sempre que fazia uma asneira. Mas o grande amor que cresceu por aquele elemento da família, contrastou com o pouco tempo que o Peter esteve efectivamente connosco. Um dia chegámos a casa, e não houve recepção eufórica, nada de pulos, nada de olhinhos carinhosos...nada...apenas silêncio e vazio. Por alguma razão que nunca chegámos a perceber, o felpudo canino tinha desaparecido.

As lágrimas foram gerais, as buscas incessantes, a divlugação nas redes sociais também. O desânimo foi total quando percebemos que o chip de identificação do Peter só funcionaria caso este fosse entregue numa clínica para leitura. A nossa ideia inicial era a de que o chip funcionaria com coordenadas GPS. Ideia ingénua e errada. Aguardámos, aguardámos e nada, reinava o silêncio. 

Um ano depois desta perda, o senhor que nos tinha oferecido o Peter, decidiu oferecer-nos um irmão mais novo. Mais um rafeiro lindo de morrer, que mais uma vez nos conquistou e que tem estado connosco desde essa data.

 Mas esta história termina com um volte-face completamente inesperado. Em Dezembro, recebi uma chamada que dava conta que o Peter tinha aparecido, que tinha sido entregue numa clínica por duas senhoras. Inicialmente, tentei explicar à senhora que estava equivocada, depois caí em mim, depois fui a correr para a clínica. Chorei, desesperei, ri, abracei o Peter, deixei-o saltar para o meu colo. E o coração apertou-se bastante. Ele não reconhecia o nome, não me reconhecia. Mas nada disso importava, ele estava ali a responder à minha persistente pergunta: Será que está bem? Estava, lindo, bem alimentado, escovado, bem tratado. Depois do choque, e tendo em conta todos os sinais de bem estar que o canito apresentava, decidi procurar os seus possíveis segundos donos. Apesar dos esforços, ninguém reclamou uma possível tutela do Peter. Já passaram dois meses e ele já se habituou novamente à família e é um amor. Um amor que estamos a tratar bem e a proteger para que não voltemos a ter surpresas desagradáveis.


domingo, 9 de Fevereiro de 2014

Recordar o bom tempo

A tempestade Stephanie decidiu agravar o que já tem sido bastante mau e desagradável. Nada melhor que recordar um passeio em altitude, em Linhares da Beira. É uma aldeia histórica do distrito da Guarda. Lembro-me que quando era pequenita, era um sitio quase de família. Quando nos faltavam ideias de passeias, lá iamos nós a Linhares da Beira fazer um piquenique. E sempre que entrava alguém novo na família que não conhecia bem estas paragens, lá regressávamos mais uma vez. Linhares da Beira é uma aldeia sossegada e que apesar de ter o cunho das Aldeias Históricas de Portugal, não vive sobrelotada de turistas. Se gostam de passeios calmos e se não se importarem de serem seguidos pelos cães da aldeia em busca de umas migalhas, então devem mesmo conhecer Linhares.




 

sábado, 8 de Fevereiro de 2014

Uma imposição dos dias cinzentos



O cinzento dos dias pede doçura, carinho e conforto. Pede um aconchego que afaste o frio das gotas encorpadas, que dançam um irritante bailado orquestrado pelo vento manhoso. O cinzento dos dias pede Bolo de Toranja. (Acompanhem com uma Infusão de Limonete. Não se vão arrepender. Espreitem aqui.)
 

Ingredientes
Sumo de uma toranja grande e sumarenta
raspa de uma toranja grande
1 pitada de sal
1 e 1/2 chávena de açúcar amarelo
2 chávenas de farinha com fermento
1 colher de café de fermento
1/2 chávena de leite de soja
1 colher de sopa de mel
4 ovos

Batemos as claras em castelo, juntamente com a pitada de sal. Reservamos. Batemos as gemas com o açúcar e o leite de soja até obtermos uma mistura esbranquiçada. Juntamos o mel, a raspa e o sumo da toranja. Batemos tudo muito bem. Adiccionamos a farinha e o fermento. Misturamos bem. No final envolvemos as claras em castelo com a ajuda de uma vara de arames. Levamos ao forno, previamente aquecido a 160ºC, durante 30 minutos.