Pão de Banana

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Cá em casa, todos os fins-de-semana são vividos a correr, mais ainda que os dias rotineiros das semana normal de trabalho. Dividimo-nos entre a casa dos pais dele e a casa dos meus pais. Dividimo-nos entre o meu campo e as actividades interessantes da cidade. Dividimo-nos entre a diversão e as tarefas domésticas de quem não quer viver numa espelunca. Dividimo-nos em meia dúzia de seres que não somos, mas que se apoderam das nossas almas sem a poética dos heterónimos de pessoa. Dividimo-nos para viver intensamente a vida que nos escapa por entre os dedos durante a semana. Como se ao sábado, a felicidade assobiasse à janela e solicitasse estadia durante dois dias e uma noite. E, já perguntava a Mafalda do Quino, abrimos a porta se for a felicidade a tocar à campainha? Por estas bandas não só abrimos a porta, como escaqueiramos a janelas de par em par e deixamos o ar da vida entrar. E neste reboliço vivo de sangue pulsante, ainda lhe servimos com calma o melhor dos pequenos-almoços. Que é como quem diz, sentamo-nos, olhos nos olhos, e procuramos encontrar-nos à mesa, a dois, relaxados, brincalhões, com piadas mais ou menos elaboradas tal seja a preguiça que se abata sobre nós. Não encontro maneira melhor de começar o sábado ou o domingo, sentada a mesa, relaxada. Então quando a juntar a isto ainda conseguimos tempo para experimentar deleites gastronómicos novos é ouro sobre azul. Se também vivem com paixão os pequenos-almoços, então experimentem a receita abaixo. Trata-se de uma adaptação de uma receita do livro Brunch de Cláudia S. Villax, que me tem acompanhado para todo o lado (não literalmente). A receita combina bem com tudo, seja com fim-de-semanas preguiçosos, seja com planos dinâmicos. Eu harmonizei-a com compota caseira de cereja e morangos, framboesas frescas e iogurte grego natural.



Ingredientes
2 bananas grandes e maduras desfeitas
80gr de manteiga
150gr de açúcar amarelo
200gr de farinha
1 colher de chá de fermento em pó
1/2 colher de chá de bicarbonato de sódio
4 colheres de sopa de óleo de girassol

Numa tigela adicionamos o açúcar, a manteiga e os ovos. Batemos bem até obtermos uma mistura uniforme e fofa. Juntamos as bananas desfeita e envolvemos bem com uma colher de pau. Adicionamos a farinha, o fermento, o bicarbonato de sódio e o óleo de girassol. Envolvemos bem novamente. Colocamos a mistura numa forma de bolo inglês forrada com papel vegetal e levamos ao forno, previamente aquecido a 150ºC, durante 40 minutos.


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Creme de Abóbora e Feijão Verde

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A sopa é tranca da barriga. Sempre ouvi a minha avó dizer. Como me irritava escutar esta expressão quando era mais pequena. Tive graves problemas com a sopa. Fiz muitas birras. Dei imenso trabalho aos meus pais. Chorei baba e ranho no meu pseudo infantário-militar. Olhando em retrospectiva, acho que me incomodava a textura das sopas e às vezes aquilo a que eu chamo de "entulho" da sopa. Fazia-me confusão ao passar na garganta. Mas claro, uma pessoa cresce e diversos hábitos, gostos e birras mudam. Hoje em dia, adoro degustar uma boa sopa.  Mesmo nesta altura do ano, em que só apetece gelado, bolos frescos, batidos e suminhos gelados. A verdade é que já consigo compreender perfeitamente a expressão da avó. Basta uma prato de sopa para saber que não vou fazer extravagâncias alimentares, que vou me sentir saciada no final da refeição. E sabem que ingredientes fazem uma boa combinação? Abóbora e feijão verde! Se procuram uma refeição ligeira para estes dias de calor, garanto-vos que este creme suave vai bem com umas torradas de pão de centeio e sementes barradas com azeite.




Ingredientes
1 cebola média
1kg de abóbora manteiga
4 cenoura grandes
1 alho francês
500gr de feijão verde


Colocamos um fio generoso de azeite num tacho e juntamos a cebola picada. Deixamos alourar cerca de um minuto. Misturamos os legumes cortados em pedaços pequenos (excepto o feijão verde). Cubrimos os legumes com água e deixamos cozinhar até estarem moles. Aproveitando o vapor proveniente da cozedura dos legumes, cozinhamos a vapor o feijão verde. Retiramos a sopa do lume e com a varinha mágica trituramos os legumes. Jutamos o feijão verde ao creme. Pode ser servido com um fio de azeite.


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Bolinhos de Chocolate

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Se existe ingrediente maravilhoso no mundo, é sem dúvida o chocolate. Sou gulosa desde que me conheço e não me faço rogada a um bom chocolate. Principalmente se for negro. Há uns tempos ofereceram-me uma tablete de chocolate negro biológico com cerca de 90% por cento de cacau. Era simplesmente divinal. Claro que um chocolate negro aromatizado com frutas também me consegue tirar do sério. Concluindo, mesmo que me tente controlar não passo sem este agradável pecado. E de meia em meia volta lá volto eu a uma receita que envolva chocolate. Este gosto pelo chocolate não é só meu. 


Desde cedo que a humanidade se rendeu a este alimento e construiu um império comercial à sua volta. Segundo o livro A Curious History of Food and Drink a primeira referência ao plantio de cacau remonta a 1400 A. C., nas Honduras. Os aztecas foram os primeiros consumidores deste ingrediente. Eram grandes apreciadores de uma bebida confeccionada a partir do cacau (chamada de xocolalt), que era geralmente temperada com pimenta. Os primeiros europeus a experimentarem o chocolate foram os espanhóis, mais propriamente em 1519, quando o conquistador Hérnan Cortés foi presenteado pelos aztecas com uma caneca desta "água amarga". Se ele gostou ou não da bebida nunca saberemos, mas a história diz que depois deste encontro ele fartou-se de mandar cortar cabeças.

Ainda segundo este livro, a primeira loja dedicada ao comércio de chocolate na Europa, mais propriamente em Londres, só foi inaugurada em 1657.O proprietário assegurava que a bebida à base de cacau curava e defendia o corpo de diversas doenças. Porém, muitos apregoavam que as consequências de beber chocolate eram devastadoras. Como o caso de uma mãe branca que deu à luz um filho da "cor do chocolate". A situação foi deveras comentada nos folhetins da altura, sendo que a razão de tal acontecimento foi atribuído à ingestão de grande quantidades daquela bebida.

Foi a partir do século XVII que a Europa ficou rendida à água amarga. Rapidamente beber Xocolalt , sem a pimenta, virou moda. Além disso, este ingrediente passou a ter um peso bastante grande na balança económica. Portugal foi o responsável por introduzir o cultivo de cacau em diversos países como o Brasil e a Guiné.

Uma curiosidade, só em 1847, a companhia Joseph Fry descobriu a forma de confeccionar chocolate sólido.





Ingredientes
75gr de chocolate peto (com cerca de 70 por cento de cacau)
175gr de farinha de trigo
40gr de cacau em pó
140gr de açúcar mascavado
200ml de óleo vegetal
3 ovos (de preferência tamanho L)
1 colher de fermento m pó

Aquecemos previamente o forno à temperatura de 180ºC. Partimos o chocolate e colocamos os pedaços numa tigela à prova de calor. Derretemos o chocolate em banho-maria. Deixamos arrefecer ligeiramente. Peneiramos a farinha e o fermento em pó para dentro da tigela de uma misturadora eléctrica. Acrescentamos o cacau, o açúcar, o óleo, os ovos e o chocolate derretido. Batemos todos os ingredientes até estarem bem incorporados. Distribuímos a massa pelas forminhas, previamente untadas. Levamos ao forno durante 15 a 20 minutos ou até a massa ter crescido bastante. Esperamos que arrefeçam para os desenformarmos.



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Cheesecake de Morangos, Amoras e Mirtilos

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Um post sobe o dia da mãe deveria ser "lamechas" ou meloso como o mel espesso que utilizo nas minhas receitas. Mas neste post só a receita é que é docinha. Porque na realidade, tudo o que de bonito e afável tenho para dizer sobre a minha mãe, a minha maior inspiração, é-lhe dito presencialmente, com abraços e mimos. Espero que este cheesecake consiga reflectir bem a doçura destes carinhos de mãe e filha.



Ingredientes
150gr de manteiga amolecida
100gr de açúcar refinado
3 ovos, com as gemas separadas das claras
4 colheres de sopa de sumo de limão
4 colheres de sopa de natas gordas
500gr de queijo Ricotta
200gr de morangos, amoras e mirtilos
175gr de de bolachas maria
65gr de manteiga derretida

Para a base, trituramos as bolachas, juntamos a manteiga derretida e misturamos bem. Deitamos a mistura na forma e prensamos bem, utilizando a parte de baixo de uma colher para assim conseguirmos obter uma camada uniforme. Levamos ao frigorífico. Batemos a manteiga com o açúcar até obtermos uma consistência fofa. De seguida, incorporamos as gemas e o sumo de limão. Por último, adicionamos as natas e o queijo e continuamos a bater até ficar com uma textura suave. Batemos as claras em castelo e depois juntamos cerca de um terço ao preparado do queijo. Com uma colher metálica, envolvemos com cuidado a fruta e as restantes claras em castelo. Vertemos sobre a base de bolacha e nivelamos a superfície. Levamos ao forno durante cerca de uma hora. Findo esse tempo, desligamos o forno e abrimos ligeiramente a porta, para deixar o cheesecake arrefecer no seu interior. Desenformamos apenas quando o cheesecake estiver totalmente arrefecido.





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O fascínio pela raia portuguesa

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Uma estrada perdida onde mal passa um carro, independentemente de ter dois sentidos, estende-se perdida por entre serras agrestes. O carro desliza em marcha lenta, puxada por duas mudanças medrosas. Não há asfalto debaixo da borracha quente. Apenas pedras, gastas pelo tempo, pelos carros de bois e pelo lufa-lufa de quem trabalha a terra. Hesito, vezes sem conta, penso nos tractores, máquinas gigantes que possam aparecer em sentido contrário. Mas do outro lado apenas o vazio da incerteza. Uma quietude agitada invade o habitáculo do veículo e impele-me a abrir a janela. Sente-se um cheiro a vida, que corre nas veias das nascentes que teimosamente continuam, ano após ano, a brotar do duro granito e a desbravar terreno, a construir vales. Paro o carro, estaciono os meus pés em terra firme e embrenho-me num campo de cevada. O vento sibila da fronteira uma cantilena imperceptível, encantatória.




À medida que me apaixono por este pulsar, os meus olhos estendem-se pelo horizonte. O branco das giestas, engrossadas pelo passagem do tempo, ocupam grande parte do que a vista alcança. Deixam espaço apenas ao roxo electrizante do rosmaninho, ao cor-de-rosa intenso da urze e ao cinzento rochoso. A ocupação humana é claramente diminuta. Um foco aqui, outro acolá. Como se alguém tivesse salpicado a paisagem, enclausurando as gentes numa beleza inóspita. Todavia, a aspereza da paisagem não tirou o sorriso aos povoados, às gente que tão bem recebem e que tão bem tratam. Antes pelo contrário. É como se a escabrosidade do contexto em que vivem lhes tivesse atribuído outra sensibilidade.  Retomo a viagem.



Nem sempre a raia portuguesa deve ter sido assim difícil. Talvez nos tempos em que schengen não existia, e que as fronteiras tinham guardas e casas de câmbio a raia fosse diferente. Talvez nessa altura as estradas não parecessem tão perdidas na sua solidão. Mas eu não sou dessa altura. Vivo no presente e cativa-me esta quase ilha dentro de Portugal continental. Cativa-me o seu isolamento, cativa-me a sua maneira de receber, cativam-me as giestas, cativa-me o mar de campo selvagem que se estende até perder de vista. Continuo em frente nesta minha viagem. E matreiramente penso que esta estrada perdida não é o melhor sítio para se ter um furo.





Sugestão de visita: Se se quiserem perder sugiro uma visita ao concelho do Sabugal, mais concretamente à Rota dos 5 Castelos. Embora só estejamos a falar de cinco locais de visita, a verdade é que devido ao afastamento entre os sítios, poderão percorrer grande parte do concelho. Podem encontrar toda a informação aqui. Já agora, enquanto procuram os cinco castelos, façam um desvio até à Nascente do Côa. Para os menos aventureiros este desvio pode ser um bocadinho assustador, uma vez que a nascente fica num local bastante isolado entre Portugal e Espanha, mas acreditem a vista que se têm deste sítio é de cortar a respiração.

Sítio onde pernoitar: Durante a minha escapadinha de fim-de-semana, tive a sorte de ficar alojada nos Palheiros do Castelo, na cidade do Sabugal. Para além das casas serem lindíssimas, por dentro e por fora, como se trata de habitações individuais, uma pessoa pode ficar mais à vontade, com mais privacidade. Além disso, para pessoas que queiram evitar os restaurantes é a solução ideal, uma vez que as casa estão equipadas com modernas kitchenettes. Os Palheiros do Castelo ficam no centro da cidade com vista privilegiada para o castelo principal da Rota dos 5 Castelos e para a parte velha da cidade. Podem conhecer o projecto aqui.
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Madalenas de Alfarroba

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Longe vão os dias em que depois de um dia na escola a avó me recebia com um lanche caseiro. Julgo que posso falar em lanches sazonais. Cada estação marcava aquilo que eu recebia como prémio por mais um dia de estudo. E como eu gostava de chegar a casa da minha avó, de receber pequenos mimos.  Por mais singela que fosse a recepção, tudo era um encanto. Lembro-me de uma gulodice que me derretia completamente e que geralmente era degustada no Outono: bolachas Maria com marmelada confeccionada pela avó. Acreditem (e não desfazendo de outras) aquela era a melhor marmelada do mundo. Ainda continua a ser. Na realidade continuo a ter muitas saudades destes tempos de infância, em que o tempo andava devagarinho, em que as tardes em casa da avó tinham uma duração de dias. Sempre me senti protegida neste cantinho, sempre tive orgulho na minha avó. Se ela tratou de mim tão bem, agora é a minha vez de a presentear, de a fazer ter orgulho em mim e de a confortar. E estas Madalenas foram confeccionadas para um piquenique familiar, especialmente a pensar nela. A avó não gosta de produtos lácteos, não gosta de produtos com muito açúcar, nem de cremes açucarados. Portanto, esta receita era a indicada. Para meu contentamento, foi aprovada não só pela avó, mas por toda a família.






 Ingredientes
3 ovos
1 gema de ovo
130gr de açúcar branco (podem usar açúcar amarelo também)
150gr de farinha de trigo simples
1 colher de chá de fermento em pó
140gr de manteiga sem sal
4 colheres de chá (bem cheias) de alfarroba em pó

Derretemos a manteiga e reservamos. Numa tigela grande juntamos os ovos, a gema e o açúcar e batemos com uma batedeira eléctrica até obter um creme espesso e pálido. Peneiramos a farinha, o fermento e a alfarroba e envolvemos pouco-a-pouco. Acrescentamos a manteiga derretida, misturando bem. Deitamos a massa em tabuleiros, previamente preparados, enchendo-os até três quartos. Levamos ao forno, previamente aquecido, durante cerca de 8 a 10 minutos, até as Madalenas crescerem e ficarem douradinhas. Desenformamos cuidadosamente e deixamos arrefecer sobre uma rede metálica de arrefecimento.


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