Pão de Centeio

Partilha a tua sensação
Dou por mim a viver os dias de semana ansiosa pela chegada do fim-de-semana. Ansiosa por aquele momento em que posso deitar mãos a algo que acredito mesmo, seja a investir no meu campo, seja a amassar pão em cima da mesa da cozinha ou a fotografar frascos peganhentos à uma da manhã (depois no próximo post perceberam esta dos frascos pegajosos). Dou por mim a viver as semanas com saudades dos ingredientes que realmente me fazem feliz. Não pensem que me estou para aqui a lamuriar. A verdade é que saber o que me alimenta alma e ter saudades dessa realidade permite-me viver com mais intensidade esses momentos e canalizar boas energias para com quem vivo essas realidades. E por isso tento sempre brindar os positivos espaços temporais com boas receitas.  No fim-de-semana passado, inspirei-me nos lanches que a minha avó preparava aquando da sementeira da batata ou da debulha do milho. Nestas ocasiões, grandes pães passavam de mão em mão, e eram partidos toscamente. Mas inspirei-me também nos pequenos-almoços de infância, onde o café de cevada imperava como bebida quente. O resultado destas inspirações foi um divinal, simples e confortável pão de centeio.




Ingredintes
700gr de farinha de centeio
2 colheres de chá de sal
2 colheres de chá de açúcar mascavado
3 saquetas de fermento de padeiro da marca Vahiné
450ml de água morna
2 colheres de sopa de azeite
1 clara de ovo

Peneiramos a farinha para uma tigela. Adicionamos o açúcar e o fermento e misturamos. Fazemos um sulco no centro e deitamos a água morna e o óleo. Mexemos com uma colher de pau até a massa começar a ligar e depois amassamos com as mãos até que a massa se despegue da tigela. Colocamos a massa numa superfície enfarinhada e amassamos durante cerca de 10 minutos., até ficar elástica e macia. Pincelamos uma tigela com azeite. Moldamos a massa numa bola,colocamo-la na tigela e cobrimos com um pano húmido. Deixamos levedar num lugar quente durante duas horas, até que a massa duplique de tamanho. Pincelamos uma forma com azeite. Pomos a massa numa superfície ligeiramente enfarinhada e "sovamo-la" durante mais 10 minutos. Moldamos a massa formando uma bola e colocamo-la no tabuleiro preparado. Cobrimos com um pano húmido. Deixamos levedar num lugar quente durante mais 40 minutos, até que a massa duplique de tamanho. Entretanto, aquecemos o forno a 170ºC, e no fundo do mesmo colocamos uma forma com água. O objectivo é que o calor do forno seja um calor húmido. Levamos o pão ao forno durante 20 minutos. Retiramos do forno e pincelamos a superfície com a clara, previamente batida. Levamos novamente ao forno e cozemos durante mais 20 minutos. Pincelamos novamente com a clara a parte superior do pão e voltamos a pôr no forno durante 20 minutos. Transferimos para uma rede de arrefecimento.









Ler mais

Salmão e bacalhau da Noruega | Chef Hélio Loureiro

Partilha a tua sensação
Hélio Loureiro tem sido o Chef responsável pelas experiências gastronómicas do Circus Lab. Um projecto cultural dedicado ao novo circo, que para além de programar espectáculos e workshops, procurou ir mais além com a promoção de uma Tenda de Sabores. Todas as sextas-feiras, uma tenda chapitô uniu o espirito circense ao melhor da gastronomia portuguesa e ao melhor dos ingredientes noruegueses, nomeadamente o salmão e o bacalhau. Uma parceria entre a Norge e o Teatro Viriato.

O Menu foi servido num ambiente festivo, com mesas corridas a obrigar à confraternização com pessoas desconhecidas, que partilhavam a mesma sensação de curiosidade perante o espaço e perante a ementa a ser servida. Apesar de já ter experimentado cozinha de autor, sempre tive curiosidade em conhecer o Chef Hélio, uma vez que é uma das figuras incontornáveis da gastronomia portuguesa. A ementa de seis pratos, confeccionada numa cozinha improvisada com a ajuda de formandos do IEFP e da Escola Profissional Mariana Seixas fez jus à reputação do Chef.

 Iniciámos a refeição com um Tártaro de salmão fumado com fatia de boroa de milho com azeitonas. Que estava simplesmente delicioso e que conquistou até os mais desconfiados da minha mesa.


Português que é português sabe que o bacalhau possui um estatuo único na gastronomia portuguesa. Se por um lado a nossa história brindou-nos com mais de mil receitas para confeccionar bacalhau, também é verdade que o Skrei (Bacalhau fresco) continua a ser uma novidade na cozinha portuguesa. Não é fácil encontrar este novo ingrediente no mercado, mas até ao final do mês de Abril, vale a pena procurar por ele. E porque falo de Skrei? Porque foi o primeiro prato principal a ser servido. O Chef surpreendeu com  Skrei sobre arroz de grêlos e feijão encarnado.



Independentemente das novidades no que toca ao bacalhau, na mesa dos portugueses tem de haver sempre a versão seca e salgada, com cor palha. Na Tenda de Sabores, o lombo de bacalhau foi apresentado em modo confitado em azeite extravirgem, sobre um esmagado de alheiras com castanhas e rebentos de beterraba e tomate assado com alecrim. Houve também espaço para um prato de Salmão com crosta de ervas aromáticas sobre puré de cogumelos e batata com molho de azeite aromatizado com tomilho. Infelizmente, não consegui aproveitar nenhuma fotografia desta iguaria.








Mas a surpresa da noite, pelo menos para mim, foi a sobremesa: Sabayon de colheita tardia do Dão com quenelle de queijo da Serra da Estrela e sorvete de maçãs de Bravo de Esmolfe. Simplesmente divinal. Primeiro, reconhecer a qualidade do Chef Hélio ao conseguir juntar numa mesma sobremesa três emblemáticos ingredientes da Região de Viseu. Segundo, reconhecer que estes três ingredientes juntos fizeram as minhas papilas gustativas explodir de prazer. É como se estes três ingredientes tivessem sido criados para serem servidos em fusão. Estive quase, quase, quase a pedir a receita ao Chef, mas a vergonha falou mais alto. Quando as férias do Verão chegarem, deito mãos à "obra" e procuro descobrir a receita sozinha. A sobremesa foi acompanhada de Aquavit, uma bebida escandinava, semelhante à aguardente/vodka, servida em copos de gelo.




Ler mais

Quiche de Bacon e Cogumelos

Partilha a tua sensação
Sabem aqueles almoços de família em que estão completamente desinspirados e não sabem o que preparar? Este fim-de-semana, tive este dilema. O que não é habitual. Depois de várias indecisões e de olhar milhentas vezes para a minha despensa (que se resume a duas prateleiras no armário da cozinha) lá me consegui decidir por uma Quiche de Bacon e Cogumelos. Apesar de já ter ouvido falar de quiches, a verdade é que nunca tinha provado nenhuma. Só posso dizer que esta receita soube deliciosamente bem e foi aprovada pela família. Talvez por isso só tenha conseguido tirar uma foto.



1 embalagem de massa quebrada
200gr de bacon cortado em tiras ou cubos
200gr de cogumelos frescos (utilizei cogumelos marron)
6 ovos
200ml de leite evaporado (utilizei marca Nestlé)
 
Estendemos e pré-cozemos a massa no forno a 180ºC durante 15 minutos. Salteamos o bacon até ganhar um pouco de cor. Retiramos e salteamos os cogumelos na gordura deixada pelo bacon. Deixamos arrefecer. Misturamos os ovos com o leite evaporado e em seguida o preparado de cogumelos e bacon. Vertemos esta mistura na massa e cozemos à temperatura de 180ºC durante 20 minutos.
Ler mais

O regresso à cozinha com Panquecas Americanas

Partilha a tua sensação
Aos poucos e poucos, depois de uma semana bastante debilitada ao nível dos pulmões começo a regressar à cozinha. Ao sentir-me com forças, decidi que tinha de aproveitar o meu dia da semana favorito, o domingo, e preparar algo especial para a minha refeição favorita do dia, o pequeno-almoço. Mais do que matar saudades da cozinha e da confusão em que ela vive permanentemente, determinei que tinha de confeccionar algo especial e fora do habitual para mimar quem durante uma semana tratou tão bem de mim. Inspirei-me numa receita do Jamie Oliver de panquecas americanas para alterar um bocadinho a rotina matinal. E posso-vos dizer que o bom humor que se viveu à mesa iluminou todo o domingo.

Ingredientes para cerca de 4 a 6 doses
3 ovos grandes
115gr de farinha sem fermento
1 colher de chá de fermento be cheia
90ml de leite

Separamos as gemas das claras. Numa tigela misturamos as gemas, a farinha, o fermento e o leite até obtermos uma massa lisa e espessa. Batemos as claras  até formarem picos suaves. Envolvemos as claras na massa. Aquecemos uma frigideira anti-aderente em lume médio. Deitamos três colheres de sopa na frigideira e fritamos durante uns minutos até começar a ficar dourada e firme. Soltamos a panqueca e com uma espátula viramo-la. Continuamos a cozinhar até ambos os lados estarem dourados. São muito boas servidas com xarópe de ácer ou para os mais gulosos com calda de mel e chocolate negro.



Ler mais

Redescobrir o Porto

Partilha a tua sensação
Já passaram quase duas semanas desde que tive a oportunidade de redescobrir o Porto. Apesar da proximidade geográfica, nunca foi para mim uma cidade de eleição. Lembro-me que quando era pequena tinha medo da cidade grande, tal era o choque de realidades, em relação ao meu contexto de vivência em aldeia pequena. E se o gosto pela cozinha me tem permitido aprender imensa coisa, esta descoberta a esta nova paixão a devo, uma vez que me desloquei até norte devido a um workshop de Pastelaria Tradicional. Redescobri que o Porto não é de todo uma cidade escura. Antes pelo contrário tem uma luz misteriosa, mágica que se infiltra nas centenas de claraboias que povoam os telhados desta cidade. Tenho uma paixão por claraboias, ou não tivesse eu crescido com uma no quarto a alimentar-me os sonhos.E acho que passado tanto tempo, passadas tantas visitas, me apaixonei pelo Porto, pelas suas pessoas generosas, pela comida formidável, pelas lojinhas novas com inspirações antigas, pela Ribeira as suas cores e os seus becos larinticos.










Ler mais

Scones de Groselha

Partilha a tua sensação
Quando penso em mimos, penso em manhãs que iniciam com pequenos-almoços redobrados e com carinho servido entre canecas de chá e fatias de bolo acabado de confeccionar. Lembro-me de ser pequenina e de adorar assistir ao rebuliço dos inícios matinais com muito entusiasmo. Mais durante o fim-de-semana é certo, quando a família disponha de tempo para se sentar em torno da mesa da cozinha.  A mãe preparava-me o manjar matinal enquanto eu desafiava o pai para saltos em cima da cama e cambalhotas que acabavam sempre com alguém estalelado contra a parede ou com um pontapé enfiado no estômago. Apesar das mazelas, era sempre divertido. Em casa dos avós, também o pequeno-almoço, ou o mata-bicho, era diferente. A minha avó tinha uma cafeteira já muito velhinha onde fazia o melhor café de cevada do mundo. Essa bebida, dos Deuses, era sempre degustada com uma bela sandes de sêmea e manteiga. Eu gulosamente molhava o pão numa malga de café quentinho e sentia que o tempo abrandava. Hoje em dia, continuo a ser uma pessoa de pequenos-almoços. Não consigo sair de casa sem a primeira refeição do dia, e claro ao fim-de-semana gosto de espalhar afectos em formato de comida pelas pessoas que mais gosto. Seja para o Dia dos Namorados, seja para se mimarem, estes scones de groselhas são a escolha certa para colorirem qualquer início de dia.




Ingredientes
150gr de farinha de arroz
160gr de farinha de trigo
100gr de groselhas
75gr de margarina vegetal
100gr de açúcar
rapa de uma laranja
2 ovos
4 colheres de sopa de leite de arroz
2 colheres de chá de fermento em pó


Colocamos a farinha, a raspa de laranja e o fermento numa tigela. Adicionamos a margarina e com a ponta dos dedos unimos os ingredientes até obtermos uma espécie de areia. Adicionamos o açúcar, os ovos e o leite e mexemos com uma colher de pau até os ingredientes estarem todos ligados. Envolvemos as groselhas na massa obtida. Fazemos uma bola e deixamos a massa descansar durante 15 minutos. Após este tempo, colocamos a massa numa forma circular com papel vegetal. Cortamos em 6/8 pedaços Levamos ao forno, pré-aquecido a 180ºC, durante 20 minutos.







Ler mais
Publicação anteriorMensagens antigas Página inicial