Uma mudança com um ar mais feliz

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O Reservatório de Sensações está diferente. Depois de sete anos de existência e de tantas direcções opostas que assumiu, este meu cantinho virtual de sensações necessitava de um facelift, de um puxão de energia positiva que voltasse a obrigar-me a dedicar-lhe mais tempo. Pelas mão habilidosas e pela criatividade genial do criativo Luís Belo, o blogue ganhou um novo ar. Há muito que existia a vontade de encaixar os conteúdos no sítio certo e de conferir um toque mais pessoal. Bastou uma conversa de café rápida, acompanhada de um revitalizante carioca de limão, para que o Luís apanhasse as minhas ideias e as minhas ansiedades em relação à imagem antiga do Reservatório. Et Voilá, a mudança ocorreu quase de um dia para o outro. Todavia, foi apenas e só a imagem que mudou. O Reservatório continuará a ser um depositário de sensações que vou absorvendo no dia-a-dia. Já acolheu os meus devaneios semi-literários na minha era de jornalista. Actualmente é o meu bloco de notas de receitas, viagens, passeios e confidências. Não sei  o que me trará o futuro, ou quais as direcções que o blogue irá seguir, mas o Reservatório continuará a ser uma parte importante de mim.

Obrigada a todos os que me têm lido. Obrigada à minha mãe, leitora assídua e revisora (ocasional, atenta) de textos. Obrigada ao meu meu grande e melhor amigo, que nunca me deixa desistir de partilhar sensações. Ao Luís, um agradecimento especial, por ter aceite aturar os meus pedidos.


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A minha estação do ano favorita

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Os dias têm desacelerado. Estão mais curtos, mais leves, com uma luz mais fosca e fugidia. Já se sente a invasão lenta do Outono nas rotinas, nas vontades e nos apetites. Há uma necessidade, para já latente, de conforto e de aconchego, mesmo apesar das temperaturas primaveris que se têm feito sentir. Sempre gostei do Outono. Porque era uma estação que significava o começo de um novo ano (neste caso ano lectivo), de novos livros e cadernos em branco para explorar, de calçar novos sapatos, de acender novamente a lareira, de voltar a comer marmelada e geleia de marmelos caseiras, de passar mais tempo em casa com os avós. Sempre me senti parte de Outono, tal era a paixão pelos dourados mestiços que emanavam das paisagens. Mas a cima de tudo, e perante uma estação que por vezes influência os humores de forma negativa,esta época do ano sempre foi vivida com muita serenidade. A mudança para a cidade alterou um pouco esta percepção. Quem mora entre prédios não tem a oportunidade de absorver as tonalidades contrastantes, a tranquilidade das rotinas a abrandarem de ritmo e da beleza de uma paisagem em confortável mudança. Este será o segundo ano longe do outono que eu tanto gostava. Todavia, o importante é continuar a procurar os pontos positivos na estação que eu quero que seja sempre a favorita. E nada melhor do que deitar a mão à massa, refugiar-me na minha cozinha e preparar receitas com os ingredientes que ele me dá. No fim-de-semana passado preparem uns belos e simples queques de abóbora. Espero que gostem e que possam integrar esta receita no vosso Outono.



Ingredientes
150gr de açúcar branco
175gr de manteiga à temperatura ambiente
3 ovos grandes
175gr de farinha de trigo autolevedante
150gr de  puré de abóbora

Colocamos a manteiga, o açúcar e os ovos numa tigela de uma misturadora eléctrica. Depois de bem unidos estes ingredientes, acrescentamos a farinha peneirada. Juntamos o puré de abóbora. Dividimos a massa pelas formas e levamos ao forno previamente aquecido a 160ºC durante 20 minutos.


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Uma receita de infância, difícil de enontrar em londres

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Quando os marmelos da quinta começam a ganhar uma cor amarela, eu sei que o Outono está à porta.E quando esta imagem outonal se impõe, sei também que me vou lembrar com saudade das tardes em que via a minha avó a preparar com cuidado grandes panelas de marmelada. Aquele cuidado de quem sabe que tem de aproveitar tudo o que a terra lhe dá, porque não há riqueza maior do que essa. A muito custo, mas com vontade, a minha avó ainda prepara esta doce iguaria, não tenho é a sorte de passar as tardes depois da escola com ela. 

Mas este ano, enquanto apanhava os marmelos dos antigos marmeleiros, a minha mente divagou para bem longe da minha infância e para longe da minha posição geográfica. Mais propriamente para Londres. No ano passado, por altura do Natal, enviei uma prenda muito peculiar para um grande amigo que se encontra a viver na capital inglesa. Sim, enviei-lhe um pote de marmelada. Ele adora esta conserva, mas em terras de sua majestade apesar de os ingleses serem doidos por 'marmalade', ele não encontra à venda marmelada. Confusos? Eu explico. A 'marmalade' inglesa nada tem a ver com a nossa marmelada uma vez que é um doce de laranja amarga. No Reino Unido, se quisermos comprar marmelada temos de procurar por Quince Cheese. Porém, não é fácil encontrar. E, apesar de nunca ter estado emigrada, dei por mim a pensar o quão terrível podem ser as saudades dos sabores e cheiros gastronómicos caseiros e familiares.

Para quem também é doido por marmelada, a receita que se segue abaixo é muito simples de colocar em prática, embora claro envolva algum esforço e principalmente tempo. Mas eu diria que vale a pena.

Ingredientes

2kg de marmelos
1kg de açúcar amarelo

Descascamos os marmelos, retiramos os caroços e cortamo-los em pedaços pequenos. Numa panela larga colocamos os marmelos e o açúcar. Se gostarem de marmelada seca e com uma consistência mais dura, a questão da panela larga é muito importante. Mexemos, tapamos e deixamos cozer durante uma hora em lume brando. Passado esse tempo, trituramos os marmelos cozidos com a varinha mágica até obtermos um puré uniforme. Mexemos, tapamos novamente e deixamos cozinhar durante meia hora em lume brando até o puré engrossar. Cuidado nesta fase, uma vez que o puré tem tendência assumir a personalidade de um vulcão e salpicar tudo. Dividimos a marmelada por tigelas esterilizadas e cobrimos com papel vegetal.


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Parte do meu Portugal

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Portugal é lindo. Não me canso de o dizer e de admirar este pequeno país. De norte a sul, de este a oeste, Portugal brinda-nos com imagens de tirar a respiração, de paisagens que nos inspiram a viver mais, de pessoas que nos encantam com um sorriso e de sabores e cheiros que se perpetuam na memória. Sim, sou portuguesa, mas nem por isso esta minha opinião é pretensiosa ou "bairrista". Sei ser ainda mais objectiva neste meu gosto. Sendo um pequeno rectângulo, a diversidade é tanta, quer a nível geográfico, quer a nível cultural, que é impossível uma pessoa não se deslumbrar em cada região. Os meus pais sempre fizeram questão de me dar a conhecer esta rica diversidade, de me abrir os olhos para o país que é minha casa, mas também a casa de tantos portugueses com tanto para contar. Agora, chegou a vez de mostrar este nosso Portugal aos rebentos mais pequenos da família. Para que quando falarem das diferentes regiões que o compõem, o façam de plena consciência da realidade. Este fim-de-semana rumámos ao Douro, à paisagem vinhateira, aos rebuçados tradicionais do Peso da Régua e aos cheiros inconfundíveis de um dia de vindimas. E só vos digo, o norte é lindo carago.










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Um bolo para o Verão mas também para o Outono

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Quase sem dar por isso, tenho me despedido dos piqueniques de Verão (do Verão a sério) num sítio que me é muito especial. Encaixado na Serra da Arada, existe um lugar repleto de trilhos pedestres, moinhos, riachos e pequenos lagos habitados por rãs destemidas. Um lugar que convida a estender a toalha de piqueniques e a degustar belos petiscos em boa companhia. Para esta despedida, que serviu também para acolher um outono antecipado, decidi preparar uma bolo especial com as amoras apanhadas no meu campo, uma espécie de Clafoutis de Amora de Morangos



Ingredientes para a massa
100gr de margarina
50gr de açúcar
1 iogurte natural
2 ovos
100gr de farinha
1/2 colher de café de fermento em pó
3 morangos grandes cortados em pedaços pequenos

1 iogurte natural
100gr de amoras
3 colheres de açúcar 

Batemos a margarina com o açúcar até obtermos uma mistura cremosa. Adicionamos os ovos e o iogurte natural. Depois de bem misturados os ingredientes, juntamos a farinha e o fermento e os morangos. Colocamos a mistura numa forma untada e reservamos.

Esmagamos grosseiramente as amoras com o iogurte. Juntamos o açúcar. Depois de tudo bem misturado, vertemos esta mistura por cima da anterior e com uma faca fazemos pequenos cortes na massa de forma a que o preparado das amoras se encorporemas não de maneira uniforme. Levamos ao forno, previamente pré-aquecido a 160ºC, durante 45 minutos.



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Bolo de Limão

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Durante a pausa de Agosto, quem esteve verdadeiramente de férias foi a minha cozinha. Entre o experimentar da gastronomia londrina e a degustação de pestiscos na Zambujeira do Mar, não houve tempo para dar uso aos meus tachos, às minhs formas, ao meu fogão. Não vou dizer que não senti falta. Estaria a mentir. Principalmente, depois das inspirações apreendidas em terras de sua majestade. A vontade de voltar a fazer experiências é ainda maior. Durante as férias, só houve tempo para este bolo limão. Simples e que convenceu adultos e crianças.

Ingredientes
80g farinha
2 c. chá fermento
1 pitada de sal
250g iogurte natural
150g + 60g açúcar
3 ovos grandes
2 c. chá de raspa de limão
100ml óleo
80ml sumo de limão

Ligarmos o forno a 180ºC. Numa taça, peneiramos a farinha e juntamos o fermento e o sal. Noutra taça misturamos o iogurte, 150gr de açúcar, os ovos e a raspa do limão. Adicionamos os ingredientes secos ao preparado anterior. Juntamos o óleo. Deitamos a massa numa forma, previamente untada com manteiga e polvilhada com farinha. Levamos ao forno durante 50 minutos.

Calda

Levamos ao lume o sumo de limão e o restante açúcar até este se dissolver. Regamos o bolo com esta calda assim que sair do forno.
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