Madalenas de Alfarroba

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Longe vão os dias em que depois de um dia na escola a avó me recebia com um lanche caseiro. Julgo que posso falar em lanches sazonais. Cada estação marcava aquilo que eu recebia como prémio por mais um dia de estudo. E como eu gostava de chegar a casa da minha avó, de receber pequenos mimos.  Por mais singela que fosse a recepção, tudo era um encanto. Lembro-me de uma gulodice que me derretia completamente e que geralmente era degustada no Outono: bolachas Maria com marmelada confeccionada pela avó. Acreditem (e não desfazendo de outras) aquela era a melhor marmelada do mundo. Ainda continua a ser. Na realidade continuo a ter muitas saudades destes tempos de infância, em que o tempo andava devagarinho, em que as tardes em casa da avó tinham uma duração de dias. Sempre me senti protegida neste cantinho, sempre tive orgulho na minha avó. Se ela tratou de mim tão bem, agora é a minha vez de a presentear, de a fazer ter orgulho em mim e de a confortar. E estas Madalenas foram confeccionadas para um piquenique familiar, especialmente a pensar nela. A avó não gosta de produtos lácteos, não gosta de produtos com muito açúcar, nem de cremes açucarados. Portanto, esta receita era a indicada. Para meu contentamento, foi aprovada não só pela avó, mas por toda a família.






 Ingredientes
3 ovos
1 gema de ovo
130gr de açúcar branco (podem usar açúcar amarelo também)
150gr de farinha de trigo simples
1 colher de chá de fermento em pó
140gr de manteiga sem sal
4 colheres de chá (bem cheias) de alfarroba em pó

Derretemos a manteiga e reservamos. Numa tigela grande juntamos os ovos, a gema e o açúcar e batemos com uma batedeira eléctrica até obter um creme espesso e pálido. Peneiramos a farinha, o fermento e a alfarroba e envolvemos pouco-a-pouco. Acrescentamos a manteiga derretida, misturando bem. Deitamos a massa em tabuleiros, previamente preparados, enchendo-os até três quartos. Levamos ao forno, previamente aquecido, durante cerca de 8 a 10 minutos, até as Madalenas crescerem e ficarem douradinhas. Desenformamos cuidadosamente e deixamos arrefecer sobre uma rede metálica de arrefecimento.


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Bolo de Iogurte e Compota de Morango

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Primavera é, para mim, sinónimo de piqueniques Se já confessei que sou mulher de pequenos-almoços, a verdade é que também sem piqueniques a minha vida seria mais cinzenta e desinteressante. Talvez este seja mais um gosto pessoal adquirido por influência familiar. Desde pequena me lembro de nos levantarmos cedo ao fim-de-semana, pegarmos na cesta de vime e na arca térmica repletos de bons farnéis e sairmos porta fora para descobrir o mundo. Digo o mundo porque o entusiasmo era sempre enorme, contagiante, de uma energia positiva estonteante. À conta de diversos piqueniques conheci muitos pormenores deste nosso lindo país. Sítios que muitas vezes não vêm nos guias turísticos, e talvez por isso consigam manter uma beleza quase primitiva, sem ingerência humana, que encantam ao primeiro contacto. Claro que também fiz imensos piqueniques em locais mais populares. Todos eles tiveram o seu encanto. Existe melhor do que passar um agradável lanche, almoço, brunch, jantar num sítio diferente do habitual, com as pessoas de quem mais gostamos?  Ainda hoje continuo a procurar sítios para novos piqueniques. Mas acima de tudo, no que toca aos petiscos, tenho também procurado novas formas de aprimorar os sabores e os pormenores. A simplicidade rústica e rural em que cresci tem sido uma grande inspiração. Foi nessas vivências que me debrucei neste fim-de-semana. O resultado foi um belo e fresco bolo de Iogurte e Compota de Morango, que assenta que nem uma luva neste início de Primavera.



Ingredientes
100gr de manteiga
1/2 chávena de açúcar
1/4 de chávena de compota de morango
3 chávenas de farinha
1 iogurte natural
3 colheres de chá de fermento em pó
2 ovos
1/4 de chávena de leite

Derretemos a manteiga, o açúcar e a compota de morango numa caçarola em lume brando. Tiramos o lume e deixamos arrefecer um pouco. Peneiramos a farinha e o fermento em pó para dentro da mesma caçarola. Juntamos os ovos e o leite e batemos com uma colher de pau, até todos os ingredientes estarem ligados. Deitamos a massa numa forma previamente untada. Levamos ao forno a 160ºC durante 50 minutos. Deixamos na forma durante cinco minutos e depois desenformamos para uma rede, para arrefecer.




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Lemon Curd

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Quem não gosta de sobremesas frescas quando se começa a sentir o calor primaveril? Eu adoro. E se forem com limão tanto melhor. Por isso, andava há imenso tempo para descobrir uma boa receita de Lemon Curd. Lembram-se de vos ter falado do livro Feito em casa - Conservas? Pois bem, foi nesta pequena obra de Dick Strawbridge e James Strawbridege que encontrei a tal receita e que já a adaptei às minhas necessidades e paladar. Acho que vou querer usar Lemon Curd em bolos, em pudins ou simplesmente vou querer degustar esta pequena maravilha ao pequeno-almoço com uma belo torrada de pão caseiro. Espero que se deixem enamorar por este sabor ácido mas ao mesmo tempo doce.

Ingredientes
4 limões
100gr de manteiga
450gr de açúcar
5 ovos

Deitamos o açúcar, o sumo de limão e a manteiga numa tigela à prova de calor. Levamos a tigela ao lume em banho-maria. Batemos gradualmente com uma vara de arames até a manteiga derreter. Retiramos do lume. Batemos os ovos e deitamo-los na mistura de limão, sem parar de mexer. Levamos ao lume novamente e continuamos a bater enquanto a mistura aquece. Cozemos durante cerca de 20 minutos ou até a coalhada engrossar. Deitamos em frascos esterilizados e selamos. Depois de frios, os frascos devem ser conservados no frigorífico.Conservam-se por cerca de três semanas.



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Paté de ovo

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Páscoa é sinónimo de família, de mesas pequenas que se juntam e se transformam numa grande mesa que acolhe a família próxima e a afastada, de petiscos e barrigas fartas. Páscoa é também sinónimo de deixar a cozinha para quem sabe confeccionar os bons manjares. E por isso geralmente só me dedico a receitas simples. Como este paté, que pode funcionar como uma entrada ou acompanhar uma salada. E ainda por cima pode ser feito mesmo em cima da hora de almoço.



Ingredientes
3 ovos
4 colheres de sopa de maionese
2 colheres de mostarda
Metade de uma cebola pequena
Pimenta preta q.b.

Cozemos os ovos durante 12 minutos. Depois passamos por água fria e deixamos arrefecer. Descascamos os ovos. Juntamos todos os ingredientes e trituramos. Caso seja necessário, rectificamos o tempero.


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Pão de Centeio

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Dou por mim a viver os dias de semana ansiosa pela chegada do fim-de-semana. Ansiosa por aquele momento em que posso deitar mãos a algo que acredito mesmo, seja a investir no meu campo, seja a amassar pão em cima da mesa da cozinha ou a fotografar frascos peganhentos à uma da manhã (depois no próximo post perceberam esta dos frascos pegajosos). Dou por mim a viver as semanas com saudades dos ingredientes que realmente me fazem feliz. Não pensem que me estou para aqui a lamuriar. A verdade é que saber o que me alimenta alma e ter saudades dessa realidade permite-me viver com mais intensidade esses momentos e canalizar boas energias para com quem vivo essas realidades. E por isso tento sempre brindar os positivos espaços temporais com boas receitas.  No fim-de-semana passado, inspirei-me nos lanches que a minha avó preparava aquando da sementeira da batata ou da debulha do milho. Nestas ocasiões, grandes pães passavam de mão em mão, e eram partidos toscamente. Mas inspirei-me também nos pequenos-almoços de infância, onde o café de cevada imperava como bebida quente. O resultado destas inspirações foi um divinal, simples e confortável pão de centeio.




Ingredintes
700gr de farinha de centeio
2 colheres de chá de sal
2 colheres de chá de açúcar mascavado
3 saquetas de fermento de padeiro da marca Vahiné
450ml de água morna
2 colheres de sopa de azeite
1 clara de ovo

Peneiramos a farinha para uma tigela. Adicionamos o açúcar e o fermento e misturamos. Fazemos um sulco no centro e deitamos a água morna e o óleo. Mexemos com uma colher de pau até a massa começar a ligar e depois amassamos com as mãos até que a massa se despegue da tigela. Colocamos a massa numa superfície enfarinhada e amassamos durante cerca de 10 minutos., até ficar elástica e macia. Pincelamos uma tigela com azeite. Moldamos a massa numa bola,colocamo-la na tigela e cobrimos com um pano húmido. Deixamos levedar num lugar quente durante duas horas, até que a massa duplique de tamanho. Pincelamos uma forma com azeite. Pomos a massa numa superfície ligeiramente enfarinhada e "sovamo-la" durante mais 10 minutos. Moldamos a massa formando uma bola e colocamo-la no tabuleiro preparado. Cobrimos com um pano húmido. Deixamos levedar num lugar quente durante mais 40 minutos, até que a massa duplique de tamanho. Entretanto, aquecemos o forno a 170ºC, e no fundo do mesmo colocamos uma forma com água. O objectivo é que o calor do forno seja um calor húmido. Levamos o pão ao forno durante 20 minutos. Retiramos do forno e pincelamos a superfície com a clara, previamente batida. Levamos novamente ao forno e cozemos durante mais 20 minutos. Pincelamos novamente com a clara a parte superior do pão e voltamos a pôr no forno durante 20 minutos. Transferimos para uma rede de arrefecimento.









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Salmão e bacalhau da Noruega | Chef Hélio Loureiro

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Hélio Loureiro tem sido o Chef responsável pelas experiências gastronómicas do Circus Lab. Um projecto cultural dedicado ao novo circo, que para além de programar espectáculos e workshops, procurou ir mais além com a promoção de uma Tenda de Sabores. Todas as sextas-feiras, uma tenda chapitô uniu o espirito circense ao melhor da gastronomia portuguesa e ao melhor dos ingredientes noruegueses, nomeadamente o salmão e o bacalhau. Uma parceria entre a Norge e o Teatro Viriato.

O Menu foi servido num ambiente festivo, com mesas corridas a obrigar à confraternização com pessoas desconhecidas, que partilhavam a mesma sensação de curiosidade perante o espaço e perante a ementa a ser servida. Apesar de já ter experimentado cozinha de autor, sempre tive curiosidade em conhecer o Chef Hélio, uma vez que é uma das figuras incontornáveis da gastronomia portuguesa. A ementa de seis pratos, confeccionada numa cozinha improvisada com a ajuda de formandos do IEFP e da Escola Profissional Mariana Seixas fez jus à reputação do Chef.

 Iniciámos a refeição com um Tártaro de salmão fumado com fatia de boroa de milho com azeitonas. Que estava simplesmente delicioso e que conquistou até os mais desconfiados da minha mesa.


Português que é português sabe que o bacalhau possui um estatuo único na gastronomia portuguesa. Se por um lado a nossa história brindou-nos com mais de mil receitas para confeccionar bacalhau, também é verdade que o Skrei (Bacalhau fresco) continua a ser uma novidade na cozinha portuguesa. Não é fácil encontrar este novo ingrediente no mercado, mas até ao final do mês de Abril, vale a pena procurar por ele. E porque falo de Skrei? Porque foi o primeiro prato principal a ser servido. O Chef surpreendeu com  Skrei sobre arroz de grêlos e feijão encarnado.



Independentemente das novidades no que toca ao bacalhau, na mesa dos portugueses tem de haver sempre a versão seca e salgada, com cor palha. Na Tenda de Sabores, o lombo de bacalhau foi apresentado em modo confitado em azeite extravirgem, sobre um esmagado de alheiras com castanhas e rebentos de beterraba e tomate assado com alecrim. Houve também espaço para um prato de Salmão com crosta de ervas aromáticas sobre puré de cogumelos e batata com molho de azeite aromatizado com tomilho. Infelizmente, não consegui aproveitar nenhuma fotografia desta iguaria.








Mas a surpresa da noite, pelo menos para mim, foi a sobremesa: Sabayon de colheita tardia do Dão com quenelle de queijo da Serra da Estrela e sorvete de maçãs de Bravo de Esmolfe. Simplesmente divinal. Primeiro, reconhecer a qualidade do Chef Hélio ao conseguir juntar numa mesma sobremesa três emblemáticos ingredientes da Região de Viseu. Segundo, reconhecer que estes três ingredientes juntos fizeram as minhas papilas gustativas explodir de prazer. É como se estes três ingredientes tivessem sido criados para serem servidos em fusão. Estive quase, quase, quase a pedir a receita ao Chef, mas a vergonha falou mais alto. Quando as férias do Verão chegarem, deito mãos à "obra" e procuro descobrir a receita sozinha. A sobremesa foi acompanhada de Aquavit, uma bebida escandinava, semelhante à aguardente/vodka, servida em copos de gelo.




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